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22/09/2026

Qual é a versão europeia do S&P 500? Descobre o STOXX Europe 600

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Quando se pensa no mercado acionista dos EUA, é quase inevitável lembrar-se do S&P 500.

Contudo, face ao protecionismo crescente e à instabilidade política nos Estados Unidos, muitos investidores europeus perguntam-se se não estarão demasiado expostos ao mercado norte-americano e começam a olhar para a Europa como fonte adicional de diversificação. Estudos demonstram que diversificar geograficamente os investimentos pode trazer ganhos de longo prazo e melhorar o desempenho da carteira. Então, por que não considerar a Europa?

A versão europeia do S&P 500 é o índice STOXX Europe 600, vulgarmente chamado STOXX 600. Como o nome indica, acompanha 600 das maiores empresas cotadas na Europa e representa cerca de 90% do mercado investível. Para investidores da zona euro, tem ainda a vantagem de reduzir o risco cambial, já que cerca de metade do índice está em empresas da zona euro. Vamos analisá-lo em detalhe.

STOXX 600: exposição ampla a 17 países

O STOXX 600 é altamente diversificado: inclui empresas de praticamente todas as grandes economias desenvolvidas da Europa, num total de 17 países. Encontramos nomes do Reino Unido, França, Alemanha, Suíça, Espanha, Suécia, Países Baixos, Itália e muitos mais. Eis o peso dos 10 principais países (agosto de 2026):

País Peso
Reino Unido22,9%
França15,0%
Suíça13,7%
Alemanha13,4%
Países Baixos7,9%
Espanha6,0%
Itália5,7%
Suécia4,9%
Dinamarca2,7%
Finlândia1,9%

Fonte: factsheet do STOXX Europe 600, dados de 31/08/2026.

STOXX 600 vs. S&P 500: diversificação, sectores e moeda

Para além da diferença geográfica óbvia, há outros pontos a considerar quando se comparam os dois índices.

O S&P 500 é fortemente dominado pelo sector tecnológico, que pesa 37,56% no ETF SXR8 (agosto de 2026). No STOXX 600, o maior peso está na banca (15,7%), seguida dos bens e serviços industriais (15,4%) e da saúde (12,3%). A tecnologia representa apenas 8,9% (factsheet do STOXX Europe 600, agosto de 2026). Para quem pretende uma exposição elevada ao sector tech, isto pode ser uma desvantagem.

Segue-se a distribuição dos 10 maiores supersectores do STOXX 600, com exemplos de empresas:

Supersector Peso Exemplos de empresas
Bancos 15,7% HSBC • Lloyds • Santander • BNP Paribas • UBS
Bens & Serviços Industriais 15,4% Siemens • Airbus • Schneider
Saúde 12,3% Novartis • Novo Nordisk • AstraZeneca
Tecnologia 8,9% ASML • SAP • Nokia
Energia 6,5% Shell • BP • TotalEnergies
Seguros 6,0% Allianz • AXA • Zurich
Alimentação, Bebidas e Tabaco 4,9% Nestlé • Diageo • Danone
Utilities 4,4% Iberdrola • Enel • E.ON
Produtos e Serviços de Consumo 4,2% Adidas • Puma • Hugo Boss
Serviços Financeiros 4,2% London Stock Exchange • Amundi • Deutsche Börse

Fonte: factsheet do STOXX Europe 600, dados de 31/08/2026.

No STOXX 600, nenhum país ou sector isolado domina os retornos e a maior empresa, a ASML (Países Baixos), pesa apenas 4,18% do índice. Para além disso, como grande parte das empresas está na zona euro, o risco cambial é menor para quem investe em euros.

Desempenho: STOXX 600 vs. S&P 500

Em 2025, o STOXX 600 subiu 20,44% em euros (medido pelo ETF EXSA), enquanto o S&P 500 convertido em euros subiu apenas 3,96% (medido pelo ETF SXR8). Em dólares, o S&P 500 tinha subido perto de 18%.

É um bom exemplo de risco cambial: a desvalorização do dólar em 2025 comeu quase todo o ganho do S&P 500 para quem investe em euros. Se comprares um ETF do S&P 500 que sobe 5% em dólares, mas o dólar cai 7% face ao euro, o retorno em euros torna-se negativo.

Nos 12 meses seguintes o quadro mudou: até setembro de 2026, os dois índices estão praticamente empatados em euros, com +19,03% no STOXX 600 e +19,81% no S&P 500 (dados justETF).

Historicamente, porém, o S&P 500 superou o STOXX 600 quase sempre: desde 1992, obteve em média 10,95% ao ano contra 7,91%, com risco semelhante (desvio-padrão). Nos últimos dez anos, 100€ investidos em setembro de 2016 ter-se-iam tornado 401€ no S&P 500 e 249€ no STOXX 600 (dados Koyfin até 22 de setembro de 2026, através de ETFs que replicam cada um dos índices):

Desempenho a 10 anos, a 22/09/2026: S&P 500 (ETF SXR8) vs. STOXX 600 (ETF MEUD). Fonte: Koyfin

Apesar disso, combinar ambos os índices traz benefícios de diversificação: reduz-se o risco específico dos EUA e suavizam-se oscilações na carteira. E como rentabilidades passadas não garantem futuro, a questão é: continuará o S&P 500 a liderar ou entramos num ciclo favorável à Europa?

Como investir no STOXX 600: ETFs

Para obter exposição ao índice não é preciso comprar 600 ações; basta um ETF de baixo custo que siga o STOXX 600. Entre vários disponíveis, destacam-se dois:

Nome do ETF ISIN TER Tipo
Amundi Core STOXX Europe 600 UCITS ETF Acc LU0908500753 0,07% Acumulativo
iShares STOXX Europe 600 UCITS ETF DE0002635307 0,20% Distributivo

Como investir no STOXX 600 (exemplo na DEGIRO)

Existem várias corretoras de bolsa (o processo é semelhante). No meu caso, uso a DEGIRO para comprar o Amundi STOXX Europe 600 UCITS.

Entra na plataforma e pesquisa “Amundi STOXX Europe 600 UCITS”. Verás o ETF listado em várias bolsas (todas em euros): XET (Deutsche Börse), TDG (Tradegate) e EPA (Euronext Paris):

STOXX 600 - ETFs disponíveis na DEGIRO

Ao escolher, considera fatores como liquidez, comissões, horário e impostos. TDG tem horário alargado mas menor liquidez; se valorizas liquidez, XETRA costuma ser preferível.

Clica, seleciona “Comprar”, escolhe o tipo de ordem (Limit para preço garantido ou Market para execução garantida), indica a quantidade e submete.

Amundi STOXX Europe 600 UCITS ETF

Conclusão

Se queres investir na economia europeia, o STOXX 600 é uma boa porta de entrada: abrange 17 países desenvolvidos e pode ser adquirido através de ETFs de baixo custo.

Autor
Tiago Freitas é licenciado em Economia e está a concluir o mestrado em Finanças na Católica Lisbon SBE, onde exerce a função de research assistant. Concluiu o nível I do CFA, e pretende contribuir para o aumento da literacia financeira dos Portugueses.