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26.06.2026

PPR ou Certificados de Aforro: qual escolher?

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Se estás a dar os primeiros passos no mundo da poupança e investimento, provavelmente já te deparaste com esta dúvida: Certificados de Aforro ou Plano de Poupança Reforma (PPR)?

Ambos são populares entre os portugueses, mas adequam-se a perfis de investidor muito diferentes.

Neste artigo, clarificamos todas as dúvidas!

Certificados de Aforro: melhor opção sem risco e flexível

Se estás a começar e queres algo seguro, líquido e previsível, os Certificados de Aforro (CA) continuam a ser um "porto seguro". 

Em julho de 2026, a taxa base da Série F está em 2,356% bruta, revista mensalmente pela Euribor 3M, com teto de 2,5% e prémios de permanência crescentes (até +1,75% nos anos 14-15). 

É possível resgatar após 3 meses, parcial e sem penalizações. 

Desde abril de 2026, o limite máximo de subscrição da Série F subiu de 100.000€ para 250.000€ por conta aforro (e o cúmulo com a Série E passou de 350.000€ para 500.000€).

Ponto fraco: com a inflação em 3,3% (maio de 2026), no curto prazo os Certificados de Aforro podem não proteger totalmente o poder de compra, embora os prémios ajudem à medida que o prazo aumenta.

PPRs: melhor opção para longo prazo e aproveitar benefícios fiscais

Os PPR servem objetivos de longo prazo e podem ter capital garantido (seguros) ou não garantido (fundos). 

Têm, regra geral, comissões (subscrição, gestão e, por vezes, resgate) e regras de liquidez mais apertadas, ou seja, o objetivo é resgatares apenas perto da reforma, ou terás penalizações.

Em contrapartida, oferecem benefícios fiscais: dedução à coleta de 20% até 400€/350€/300€ (consoante a idade) e tributação reduzida (8%) no resgate se cumprires as condições legais. 

Fora dessas condições, aplicam-se 21,5% / 17,2% / 8,6% conforme a antiguidade do contrato. 

Mas atenção: Muita gente não aproveita os "teóricos" 20% por concorrência com outras deduções. O benefício fiscal médio real dos últimos 10 anos foi de apenas 2,2% do valor investido, em vez dos 20% permitidos por lei. Isto acontece porque o benefício fiscal compete com outras deduções (dependentes, saúde, etc.). Por exemplo, uma pessoa que ganhe o salário mínimo e que não pague IRS, não tem acesso a este benefício fiscal, pois ele é uma dedução do imposto a pagar. Logo, não havendo imposto a pagar, não há dedução possível.

Queres saber mais sobre PPRs? Consulta os nossos artigos dedicados:

Comparação rápida: PPR vs CA

Critério Certificados de Aforro (CA) PPR
Emissor/garantia Estado (IGCP) Privado (bancos/seguradoras/gestoras)
Risco de Capital Muito baixo De baixo a elevado (depende do produto)
Rentabilidade Regra geral, maior rentabilidade (análise em baixo) Regra geral, menor rentabilidade (análise em baixo)
Liquidez Resgate após 3 meses, parcial, sem penalização Restrita; penalizações/condições para taxa reduzida
Comissões Sem comissões Frequentes (subscrição/gestão/resgate)
Fiscalidade Retenção 28% (podes englobar) Entrada: 20% de dedução fiscal no IRS; saída: 8% de imposto nas condições; fora: 21,5%/17,2%/8,6%
Horizonte típico Curto a longo (versátil) Médio-longo (idealmente até à reforma)
Perfil ideal Conservador; liquidez e simplicidade Tolerância ao risco; horizonte longo; otimização fiscal

Rentabilidade - PPR vs Certificados de Aforro

Ano/Período Planos Poupança-Reforma (PPR) Certificados de Aforro (CA) Inflação
1990 a 2009 (média) 4,0% 4,2% 3,7%
2014 a 2024 (10 anos) 1,6% 4,2% 1,9%
2019 a 2024 (5 anos) 1,8% 2,9% 3,1%
2021 a 2024 (3 anos) 1,3% 2,9% 4,8%
2024* (até 16 de dezembro) 7,5% 1,8% 2,3%

Dados de "Como Salvar a Minha Reforma" e ECO.

Como podes ver, com a excepção de 2024, em todos os períodos os certificados de aforro renderam mais do que os PPRs.

É importante realçar que estamos a analisar o mercado como um todo: podem ter havido PPRs que tenham tido uma performance muito superior. E resultados passados não são garantia de retornos futuros.

1990 a 2009

Se considerarmos o histórico de rentabilidades, e de acordo com o estudo "Como Salvar a Minha Reforma", de 1990 a 2009, os PPR renderam ~1,54%/ano acima da inflação, enquanto os CA ~1,82%/ano.

Ou seja, neste período, os Certificados de Aforro renderam mais do que os PPRs, mesmo tendo muito menos risco e maior facilidade/flexibilidade de resgates

Isto mostra como comissões e volatilidade pesam no retorno líquido dos PPRs.

Hoje, continua a haver PPR bons, mas é preciso uma seleção exigente (custos baixos, política adequada ao teu risco/horizonte, histórico consistente) - e confirmar se o teu benefício fiscal efetivo é material.

2019 a 2024 (últimos 5 anos)

Neste período, a inflação média em Portugal foi de 3,1%/ano. Os dados do ECO mostram que:

  • 89% dos PPR ficaram abaixo da inflação, ou seja, perderam poder de compra.
  • Apenas 15% dos PPR bateram o seu índice de referência.
  • Rendibilidade média anualizada da maioria dos PPR: ~1,6% bruta.
  • Certificados de Aforro: cerca de 2,91% a 5 anos e 4,2% líquidos a 10 anos, batendo claramente os PPR.

2014 a 2024 (últimos 10 anos)

Segundo os cálculos do ECO, os PPR apresentaram uma rendibilidade anualizada média bruta de apenas 1,6%, enquanto os Certificados de Aforro alcançaram cerca de 4,2% líquidos. A diferença é expressiva, mesmo antes de considerar as comissões típicas dos PPR.

2024 isolado (ano excecional)

Graças à recuperação dos mercados financeiros, a média dos PPR foi de 7,5% em 2024. Contudo:

  • Apenas 1 em cada 5 PPR conseguiu bater o seu índice de referência.
  • A maioria não tem consistência: ganhos fortes num ano, mas anos anteriores muito fracos, ficando atrás dos CA em horizontes mais longos.

Quanto rende 10.000€ em cada um? Exemplo prático

Para tornar concreto, vê como funciona a fiscalidade de cada produto e o que ficas a ganhar:

Certificados de Aforro PPR
Benefício à entrada (IRS) Não tem 20% das entregas, até 400€/350€/300€ por ano (consoante a idade), se tiveres coleta e margem nas deduções
Comissões Sem comissões Frequentes (subscrição, gestão, por vezes resgate)
Imposto à saída 28% sobre os juros, retido na fonte (podes englobar) 8% sobre os ganhos nas condições legais; fora delas, 21,5% / 17,2% / 8,6% consoante a antiguidade
Exemplo: 10.000€ no 1.º ano (taxa de julho de 2026) ~236€ brutos ⇒ ~170€ líquidos (após 28%) Depende do fundo; à entrada podes deduzir até 400€ (menores de 35 anos), mas a rentabilidade líquida histórica ficou abaixo dos CA

Repara num ponto importante: nos Certificados de Aforro, o imposto de 28% é retido automaticamente, mas podes optar por englobar os juros no IRS se a tua taxa for inferior a 28%. No PPR, a vantagem fiscal só compensa de facto se tiveres imposto a pagar e margem face às outras deduções, e se escolheres um fundo de custos baixos.

Qual escolher?

Escolhe Certificados de Aforro se procuras segurança, liquidez, simplicidade fiscal e retornos estáveis (ainda que modestos no curto prazo).

Escolhe PPR se tens horizonte muito longo, toleras volatilidade, investigas bem custos e qualidade, e aproveitas mesmo os benefícios fiscais.

Outra opção é optares por uma estratégia mista, com parte investido em Certificados de Aforro, e parte em PPRs.

Posso ter os dois? Como funciona uma estratégia mista

Sim, podes (e muitas vezes faz sentido). Em vez de veres isto como uma escolha de "tudo ou nada", podes combinar os dois produtos por objetivo e por horizonte temporal:

  • Certificados de Aforro para o curto e médio prazo: fundo de emergência e dinheiro de que possas precisar nos próximos anos, graças à liquidez (resgate após 3 meses, sem penalização).
  • PPR para a reforma: a parte que sabes que não vais tocar durante muitos anos, e apenas se fores aproveitar mesmo o benefício fiscal e escolheres um fundo de custos baixos.

Não há uma divisão "certa": depende da tua almofada de segurança, do horizonte e da tua tolerância ao risco. O importante é manter contribuições regulares e rever a estratégia de tempos a tempos.

Checklist para te ajudar a decidir

  • Vais precisar do dinheiro nos próximos 8–10 anos? O teu benefício fiscal real em PPR é mesmo relevante? (Não assumas 20% "automáticos".)
  • O PPR tem custos totais baixos e histórico coerente com o teu perfil de risco?
  • Tens disciplina para manter o PPR até às condições legais de resgate?

Como subscrever cada um

Certificados de Aforro: subscreves online no AforroNet (aforronet.igcp.pt) ou presencialmente nos CTT, Espaços Cidadão, na app dos CTT ou no Banco BiG. O investimento mínimo é de 100€ e os reforços a partir de 10€. Precisas de NIF e de uma conta aforro associada.

PPR: subscreves num banco, seguradora ou sociedade gestora de fundos, presencialmente ou (em muitos casos) online. Antes de avançar, compara custos e perfil de risco. O nosso comparador de PPR ajuda a filtrar por horizonte e risco.

Perguntas frequentes

Posso transferir de Certificados de Aforro para PPR (ou o contrário)?

Não existe transferência direta entre os dois. Terias de resgatar um produto e subscrever o outro. Dentro dos PPR, sim, é possível transferir entre entidades sem perder a antiguidade.

Qual é melhor para a reforma?

Para horizontes muito longos, um bom PPR de baixo custo pode fazer sentido pela fiscalidade. Ainda assim, historicamente, os Certificados de Aforro renderam mais em termos líquidos. Depende dos custos do PPR e de aproveitares mesmo o benefício fiscal.

O PPR garante o capital?

Só os PPR sob a forma de seguro com capital garantido. Os fundos PPR não garantem o capital e podem oscilar.

Os Certificados de Aforro pagam imposto todos os anos?

O imposto de 28% incide sobre os juros e é retido na fonte quando estes são capitalizados. Podes optar por englobá-los no IRS se for vantajoso para ti.

Há outras alternativas de baixo risco?

Sim. Vale a pena comparar com os melhores depósitos a prazo e as melhores contas poupança, que também oferecem capital garantido.

Conclusão

Como já deves ter reparado, não existe uma resposta certa, nem um instrumento "melhor". Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros. Faz a tua própria pesquisa e decide por ti mesmo - se quiseres começar pelo PPR, o nosso comparador de PPR é um bom ponto de partida.

Em geral, Certificados de Aforro são preferíveis para segurança e simplicidade; PPR só se tiveres horizonte longo de investimento, tolerares volatilidade e aproveitares de facto a fiscalidade.

Outra solução possível é adotarmos uma estratégia mista: parte em CA + outra parte investida em PPR.

Queres saber mais? Lê esta análise da ECO, com dados muito interessantes sobre a performance de PPRs e de Certificados de Aforro.

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Autor
A Joana tem mestrado em Bioengenharia, trabalha atualmente no mundo da consultoria e é administradora da maior comunidade do Discord de Literacia Financeira em Portugal. Tem como crença que a riqueza está no que fazemos com o conhecimento que adquirimos.