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18.07.2026

Análise ao Save & Grow PPR - Casa de Investimentos (2026)

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O Save & Grow PPR, gerido pela Casa de Investimentos, tem sido um dos produtos mais falados no universo dos planos de poupança reforma.  Se quiseres recuar ao essencial, vê o que é um Plano Poupança Reforma (PPR).

Lançado em outubro de 2020, rapidamente ganhou notoriedade pela sua abordagem ativa e pela forte comunicação da gestora. 

Desde que foi criado, tem sido consecutivamente líder na lista dos PPR mais rentáveis.  

Neste artigo, analisamos em detalhe este PPR e avaliamos o desempenho e as suas características, de forma independente e informativa, para ajudar-te a perceber se este produto faz sentido na tua estratégia de investimento.

Para comparar este PPR com outros pares da mesma classe de risco, podes usar o nosso comparador de PPR.

Análise em vídeo

Preferes assistir a esta análise em vídeo? Podes fazê-lo aqui:

Nota: o artigo tem os dados mais atualizados que o vídeo, contudo em nada muda a conclusão da análise.

Sumário do PPR

O Save & Grow PPR é um PPR gerido de forma ativa (ou seja, a equipa de gestão decide onde investir, faz análises e tem convicções próprias de investimento). Este PPR tem a forma de fundo (e não seguro), e a sua política de investimento permite-lhe investir até 100% em ações:

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À data de 16 de julho de 2026 | Fonte: casadeinvestimentos.pt/save-and-grow

À data da realização deste artigo, tinha mais de 34.000 clientes e pouco mais de 350 milhões em ativos sob gestão:

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À data de 16 de julho de 2026 | Fonte: casadeinvestimentos.pt/save-and-grow

Um crescimento impressionante para um PPR que existe apenas desde outubro de 2020.

Composição da carteira

A carteira está um pouco concentrada, com as 10 maiores posições a representarem cerca de 55% do portefólio, algo que pode ser considerado normal dado ser um fundo com elevadas convicções por parte da equipa de gestão. 

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À data de 30 de junho de 2026 | Fonte: casadeinvestimentos.pt/save-and-grow

No que toca à geografia dos investimentos, os EUA são o país onde a maioria das ações está sediada:

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À data de 30 de junho de 2026 | Fonte: casadeinvestimentos.pt/save-and-grow

Contudo, não quer isto dizer que temos uma exposição real de cerca de 75% aos EUA, como está indicado, porque o mais importante são as receitas das empresas e não onde estas estão sediadas. Em 2024, 41% das receitas das empresas presentes no S&P 500 eram oriundas de outros países:

Percentagem das receitas das empresas do índice S&P 500 oriundas do estrangeiro | Fonte: Apollo

Quanto aos setores, há um claro domínio de Consumo Discricionário e Tecnologias de Informação. O fundo está praticamente todo investido (~98% em ações) e ~2% em dinheiro. 

Por fim, tem uma exposição ao dólar de praticamente 82%, o que é normal por, mais uma vez, ter grande exposição a empresas americanas que estão cotadas em dólares e outras cotadas nessa mesma moeda, como é o caso da Alibaba.

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À data de 30 de junho de 2026 | Fonte: casadeinvestimentos.pt/save-and-grow

Filosofia de Investimento: Value ou Growth?

A Casa de Investimentos classifica o Save & Grow como um fundo de “Investimento em Valor”, inspirado em figuras como Warren Buffett. 

Contudo, as métricas analisadas em baixo parecem mostrar um perfil mais próximo de “quality growth at a reasonable price”, isto é, empresas de qualidade e crescimento sólido, mas compradas a preços razoáveis - e não necessariamente baratos.

Enquanto o value investing tradicional procura múltiplos baixos, dividendos elevados e preço atrativo face ao valor intrínseco, o Save & Grow PPR investe em empresas com crescimento previsível e rentabilidade sólida, mesmo que negociem a avaliações mais altas. 

Esta abordagem é também refletida na secção “Filosofia de Investimento” da factsheet do fundo:

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Factsheet junho 2026

As Principais Posições e Métricas

Uma análise às 10 maiores posições revela métricas mais próximas de fundos de crescimento:

  • Price/Earnings (P/E): Nvidia e Mastercard negoceiam acima de 30x e a Amazon perto desse nível; a Microsoft, após a compressão de múltiplos de 2026, ronda os 22x.
  • Free Cash Flow Yield: Nos fundos de valor, valores acima de 5% são comuns. No Save & Grow, apenas LVMH (~6%) e Booking (~6,4%) atingem essa faixa, enquanto a Mastercard fica nos ~3,8%, a Alphabet nos ~1,5% e as restantes (Amazon, Microsoft e Nvidia) abaixo de 2%.

Estas métricas, entre outras como o EV/EBITDA e EV/FCF, Price-to-Book (P/B), aparentam, à primeira vista que, apesar da classificação “value”, o fundo pode posicionar-se próximo de um portefólio growth.

Rentabilidade do PPR & Comparações com ETFs

Aqui, analisamos a rentabilidade desde outubro de 2020 até 16 de julho de 2026 da classe founders e comparamos com dois ETFs de ações: o IWDA, que investe em 23 países do mundo desenvolvido, e o VWCE, que, para além de países desenvolvidos, também investe em países de mercados emergentes. Se tens dúvidas entre os dois, vê a nossa comparação VWCE vs IWDA

Deixamos aqui o excel usado para realizar as análises demonstradas em baixo. Para efetuares o download do mesmo, basta ires a "Ficheiro" => "Fazer cópia".

Temos quase 6 anos de histórico e esta tem sido a rentabilidade:

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À data de 16 de julho de 2026 - Cálculos próprios | Fonte dos dados: investing.com

Como podes ver, este gráfico reflete a evolução de 100€ investidos em outubro de 2020. Como é notório, temos uma divergência face aos ETFs. 

Neste período, a rentabilidade anualizada do PPR foi de 9,16%, enquanto que nos ETFs foi de 15,07% no IWDA e 14,65% no VWCE. 

No que toca ao risco, este foi maior ao estar investido no PPR pela volatilidade anualizada de 19% que é bem superior ao observado em cada um dos ETFs.

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Cálculos próprios | Fonte dos dados: investing.com

Como tal, isto reflete-se no Sharpe ratio. Este indicador diz-te o quão bem estás a ser recompensado por cada unidade de risco. Portanto, quanto maior, melhor. Por outras palavras, o PPR apresentou um maior nível de risco e menor rentabilidade.

Se pressupormos que estas diferenças de rentabilidades se mantêm nos próximos 30 anos e assumirmos um único investimento inicial de 5.000€, este seria o resultado final líquido de impostos:

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Cálculos próprios | Fonte dos dados: investing.com

Os ETFs e PPR são estruturas de investimento que diferem por causa de questões fiscais, nomeadamente dos benefícios à entrada e saída. 

Antes de realizar a comparação, quero frisar que é importante perceber uma coisa: tanto o PPR como o ETF são apenas "envelopes". O que realmente importa é o seu conteúdo. Podemos ter um PPR que investe em ações globais e um ETF que investe exatamente nas mesmas ações globais (por exemplo, replicando o índice MSCI World). 

Neste caso, sendo o ativo subjacente o mesmo, a performance "bruta" (antes de comissões e impostos) seria virtualmente idêntica.

PPR vs ETF: Cenários e Benefícios Fiscais

Para perceber o impacto dos benefícios fiscais, simulamos três cenários com base em dados reais.

Em todos os cenários, assumimos que:

  • Tens 25 anos e vais investir até aos 60 anos. 
  • Quer o PPR, quer o ETF mantêm a sua rentabilidade anualizada durante todo este período (vai ser pouco provável de acontecer, tal como a BlackRock prevê e também pelos múltiplos a que se encontra o mercado, mas para simplificar e tendo em conta que são dados reais, vou adotar este método em todos os cenários aqui analisados)
  • Que os impostos sobre as mais-valias potenciais do ETF serão tributados a 19,60% e não 28%, como é aquilo que se aplica atualmente a investimentos superiores a 8 anos.

1º cenário: Com benefício fiscal total e reinvestimento

Começas com 2.000€ e investes também 2.000€ todos os anos. O benefício fiscal à entrada é usufruído na totalidade e é reinvestido no PPR, ou seja, neste cenário, pressuponho que não estás a investir apenas pelos benefícios fiscais, mas sim por acreditares que a estratégia adotada pela Casa de Investimentos será superior a uma alternativa passiva.

Este seria o resultado:

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Cálculos próprios | Fonte dos dados: investing.com

Como vês, ao fim de 35 anos, terias ~1,7 milhões no ETF e perto de 530.000 euros no PPR.

2º cenário: Sem benefício fiscal à entrada

Começas com 2.000€ e investes também 2.000€ todos os anos. Não usufruis dos benefícios fiscais à entrada, apenas beneficias da taxa de imposto efetiva de 8,6% sobre as mais-valias.

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Cálculos próprios | Fonte dos dados: investing.com

Como vês, o diferencial seria ainda maior: ~1,7 milhões para o ETF, mas perto de 450.000 euros para o PPR.

3º cenário: Com bónus da empresa de €1.500/ano em PPR

A tua empresa dá-te um bónus anual de 1.500€ em PPR, o que faz com que tenhas uma "poupança" de 11% em Segurança Social; adicionalmente, o benefício fiscal à entrada é usufruído na totalidade e é reinvestido no PPR, por mais uma vez, acreditares na estratégia. Este seria o resultado final: cerca de 1,2 milhões para o ETF e 430.000 para o PPR.

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Cálculos próprios | Fonte dos dados: investing.com

O único cenário em que parece compensar usar o PPR, pela análise aqui exposta, será para o pagamento das prestações do crédito à habitação e para usar os benefícios fiscais à entrada para investir no ETF.

Repara que, mesmo assim, em todos os cenários acabamos por favorecer o PPR porque não tivemos em conta algo importante relativamente ao benefício fiscal à entrada. Assumimos que, por exemplo, alguém com 30 anos e que investe 2.000€ num PPR consegue deduzir 20% em IRS (os tais 400€ de que toda a gente fala). 

Ora, segundo cálculos do ECO, o benefício médio real dos últimos 10 anos foi de apenas 2,2% do valor investido, em vez dos 20% permitidos por lei. Isto acontece porque o benefício fiscal compete com outras deduções (dependentes, saúde, educação, etc.) e estas têm um limite global que depende do rendimento coletável do agregado familiar. 

Portanto, verifica se, de facto, usufruis do benefício fiscal à entrada na sua totalidade ou próximo disso. Podes ver como funciona na prática no nosso guia sobre como declarar um PPR no IRS.

O porquê da underperformance face a ETFs

Por que razão o PPR desde 2020, tal como toda a estratégia adotada na gestão de carteiras desde 2011, permanece atrás de um ETF de ações mundiais?

Comissões mais elevadas

Para começar, temos as comissões do fundo. Vemos que a taxa de encargos correntes da classe founders é de 1,30%, não incluindo os custos de transação (que acreditamos que sejam relativamente baixos). Já num ETF esse mesmo custo já anda nos 0,06%, como é o caso deste ETF da UBS:

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Fonte: justetf.com

Eficiência do mercado - gestão ativa nem sempre compensa

Outro motivo prende-se com a eficiência do mercado. A maior parte da informação existente já está incorporada no preço: por isso, encontrar oportunidades de valor é difícil. Frequentemente, qualquer vantagem descoberta por um gestor é rapidamente ajustada.

Os relatórios SPIVA que, incorporam estes fatores, ajudam-nos a perceber isso. Nos últimos 20 anos, apenas 9% dos fundos large cap de gestão ativa é que bateram o S&P 500:

Percentagem de fundos que tem uma rentabilidade pior que uma alternativa passiva

Ou seja, a probabilidade de a Casa de Investimentos bater um simples ETF nos próximos 20 anos, segundo este estudo, andará à volta dos 9%, o que não é muito favorável para quem esteja a pensar em investir no mesmo numa perspetiva de longo prazo.

Em 2010, os economistas Eugene Fama e Ken French publicaram um estudo intitulado “Luck versus Skill in the Cross-Section of Mutual Fund Returns” em que a principal conclusão foi que apenas os gestores de fundos que estavam no top 1% ou 2% pareciam ter talento, mas mesmo assim, isso era basicamente o que se esperaria acontecer apenas por sorte. 

Outros fatores

Outro fator que poderá estar a influenciar a underperformance, ainda com um impacto relativamente baixo, é a porção em dinheiro que ronda os 2% e num ETF anda nos 0,35%. Ou seja, como o objetivo deste PPR não é fazer market timing e a expectativa é que o mercado suba ao longo do tempo, este poderá ser mais um fator a afetar negativamente a performance do PPR no longo prazo.

A maior “vantagem” do PPR: disciplina

Apesar de tudo isto, a estrutura PPR tem algo que poderá ser uma grande vantagem para a maioria das pessoas: Impede-te de mexeres no teu dinheiro

Se usufruires dos benefícios fiscais à entrada, só podes retirar o dinheiro nas seguintes condições:

  • A partir dos 60 anos de idade;
  • Reforma por velhice;
  • Desemprego de longa duração (teu ou de membros do teu agregado familiar);
  • Incapacidade permanente para o trabalho (tua ou de membros do agregado familiar);
  • Doença grave (tua ou de membros do teu agregado familiar); 
  • Pagamento de prestações de contratos de crédito garantidos por hipoteca sobre imóvel destinado à habitação própria e permanente.

O que te obriga a ser disciplinado, algo em que a maioria dos investidores tem dificuldade. 

Surgem sempre questões como “Devo esperar que caia mais para entrar mais tarde?” ou “É agora a melhor altura para investir?”. Isto é, tentam adivinhar quando o mercado vai subir ou cair, entrando e saindo dos seus investimentos nos piores momentos. 

O relatório “Mind the gap” da Morningstar mostra precisamente isso. Independentemente da classe de ativos, os investidores, em média, têm retornos inferiores aos índices porque tentam adivinhar os movimentos do mercado.

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Diferencial entre o retorno do investidor e de cada classe de ativos

Neste sentido, o PPR pode proteger o investidor de decisões impulsivas.

Para além disso, investir num ETF autonomamente pode parecer simples, mas existem muitos passos que podem correr mal e condicionar o resultado:

  • Escolher uma “má” plataforma de investimentos;
  • Erros ao colocar as ordens de compra;
  • Mudar o plano a “meio do jogo”;
  • Tendência para stock picking, ou seja, escolha de determinadas ações, não seguindo o plano inicial;
  • Etc.

Notas finais

O Save & Grow PPR distingue-se pela transparência da Casa de Investimentos e pela comunicação consistente com os clientes. 

Contudo, os números mostram que, entre 2020 e 2026, ficou atrás dos principais ETFs globais, tanto em rentabilidade como em risco.

Mesmo assim, destaca-se como o PPR mais rentável em vários períodos e parece um dos PPR mais transparentes do mercado.

Para quem valoriza disciplina, transparência e potenciais benefícios fiscais, pode fazer sentido integrar este produto na carteira. 

Para investidores focados em eficiência de custos e performance a longo prazo, os ETFs globais continuam a parecer alternativas mais simples e baratas.

Leitura complementar:

Investir num PPR pode trazer algum alívio psicológico. Isso acontece não só porque recebes informações regulares sobre a evolução da tua carteira, como através das cartas trimestrais, mas também porque te mantém a par do que está a acontecer nos mercados financeiros em geral. Para além disso, reforço a questão de te obrigar a ser disciplinado.

Esperamos que te tenhamos ajudado com esta análise!

Disclaimer: Esta análise tem caráter meramente informativo. Não constitui recomendação de investimento.

Autor
O Franklin é licenciado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimónios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre literacia financeira. É o nosso Warren Buffett português – embora mais jovem.