Análise à Lightyear em Portugal em 2026: produtos, segurança, e mais!


A Lightyear é uma corretora europeia (com operação na UE, a partir da Estónia, e do Reino Unido) que ficou conhecida por oferecer uma experiência simples de investimento em ações e ETFs, conta multi-moeda (EUR, USD, GBP…) e uma estrutura de custos baixos e transparentes.
Para investidores portugueses, a proposta de valor inclui: app simples e moderna, ETFs sem comissão de execução (podem aplicar-se comissões do gestor do fundo e taxas de câmbio) e ações com comissão reduzida, com o “senão” de uma oferta de produtos limitada (sem opções, futuros, CFDs, forex, criptomoedas, etc.) e uma taxa de conversão cambial de 0,35%, competitiva em relação a muitas corretoras europeias, mas que pode acarretar custos para investidores que realizem compras em moedas distintas do euro.
Para além disto, a Lightyear permite abrir contas empresariais e tem uma funcionalidade “Plans” que te permite agrupar e automatizar os investimentos - ideal para investidores passivos, de longo prazo.
Novos utilizadores que se registaram nos últimos 15 dias podem beneficiar de um bónus de registo: com o código LITERACIA podes obter uma ação ou ETF fracionada gratuita de até 100€ na tua conta pessoal assim que depositares pelo menos 100€ e completares o registo em 15 dias. O capital está em risco e aplicam-se os termos promocionais.
A nível de proteção, na UE, os clientes estão abrangidos pelo Fundo Setorial de Proteção dos Investidores da Estónia até €20.000 (para ativos não devolvidos, não para perdas de mercado - Aplica-se no caso da Lightyear entrar em insolvência e os princípios de segregação de ativos não terem sido cumpridos para ativos não devolvidos (não perdas de mercado), podes ler mais sobre isso aqui). E, para ações/ETFs dos EUA, a custódia é realizada por um parceiro, a Alpaca, com proteção SIPC de até $500.000, caso a Alpaca falhe.
Há ainda um ponto relevante e, por vezes, confuso: os fundos do mercado monetário (FMM) não estão disponíveis para residentes em Portugal, apesar de, em alguns casos, aparecer um separador relacionado na plataforma em web/PC. A própria Lightyear indica explicitamente que Portugal não é, neste momento, elegível para MMFs.
Neste artigo, exploramos a Lightyear em detalhe: explicamos como funciona e analisamos os seus prós e contras.
Visão geral
A Lightyear foi lançada com o objetivo de tornar o investimento mais acessível, removendo barreiras como comissões elevadas, plataformas complexas e processos burocráticos longos. Na União Europeia, o serviço é prestado pela entidade Lightyear Europe AS, com sede na Estónia, que opera sob o regime europeu de passaporte financeiro.

A corretora foca-se principalmente em ações e ETFs (embora também ofereça obrigações dos países bálticos), não abrangendo produtos mais avançados, como opções, futuros, forex, CFDs ou criptomoedas. Esta limitação é intencional e faz parte do posicionamento da marca: simplicidade acima de tudo.
Para investidores portugueses, a Lightyear pode funcionar como: uma porta de entrada para o mundo dos investimentos, uma plataforma para comprar ETFs de forma simples e uma alternativa “low-cost” para quem não precisa de ferramentas avançadas. Investidores de longo prazo e com uma abordagem passiva poderão também considerá-la apelativa, especialmente com a nova funcionalidade “Plans”, que permite investir de forma automática. Por outro lado, investidores experientes ou com estratégias mais sofisticadas podem perceber rapidamente as limitações da plataforma.
Adicionalmente, a Lightyear permite transferir investimentos para outra corretora (com exceção das ações fracionadas), mas o processo é feito caso a caso, uma vez que ainda não está automatizado na app. Cada posição a transferir deve ter um valor mínimo de 1.000€. Isto é importante, dado que podes ter a intenção de, no futuro, diversificar a tua corretora.
Por fim, caso sejas freelancer ou tenhas uma empresa e queiras rentabilizar parte do teu capital, a Lightyear também oferece uma solução de investimento.
Destaques
Prós e contras
Prós
- ETFs sem comissão de execução
- Plataforma simples e intuitiva
- Conta multi-moeda (EUR, USD, GBP e outras moedas)
- Sem comissões de custódia, inatividade ou levantamentos
- Ações fracionadas disponíveis
- Boa opção para iniciantes
- Tem uma funcionalidade “Plans” que te permite automatizar os investimentos
- Oferece uma ação grátis até 100€ com o promo code “LITERACIA” (Capital em risco, aplicam-se termos e condições)
Contras
- Taxa de conversão cambial de 0,35%
- Oferta limitada de produtos financeiros: não tem opções, crypto, forex, ou obrigações mundiais (é mais focado em ações e ETFs)
- Sem juros sobre dinheiro não investido em Portugal
- MMFs e savings vaults indisponíveis para residentes portugueses
- Ferramentas e tipos de ordens limitados para investidores avançados
Tipos de conta
Para investidores portugueses, a Lightyear oferece, essencialmente, uma conta de investimento padrão (conta individual).
Ao contrário de corretoras como a DEGIRO, que segmentam os clientes em diferentes perfis (Basic, Active, Trader, etc.), a Lightyear adota um modelo único, com acesso igual às funcionalidades disponíveis no país de residência.
Para além da conta para o retalho, também oferece uma conta empresarial dirigida a freelancers e donos de empresas, que facilita o registo do código LEI (necessário para uma entidade ter conta de investimentos) por 48€ + IVA e ainda o preenchimento automático do formulário W-8BEN-E para evitar a dupla tributação sobre dividendos de ações dos EUA.
Plataforma de investimento
A Lightyear disponibiliza uma plataforma web/PC e uma aplicação móvel, sendo esta última o foco principal do produto.
Plataforma web
A versão web permite visualizar a carteira e o histórico de transações, pesquisar ações e ETFs, colocar ordens de compra e venda e consultar documentos e extratos.
A interface é limpa e fácil de navegar, mas relativamente básica. Em alguns casos, investidores portugueses podem ver referências a “Savings” ou MMFs na interface web. No entanto, isso não significa que o produto esteja disponível. Trata-se de uma funcionalidade visível na UI, mas não é elegível para Portugal.
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App mobile
A aplicação móvel é o ponto forte da Lightyear. A navegação é fluida, a pesquisa de ativos é rápida e o processo de compra é simples, mesmo para quem nunca investiu antes.

Os tipos de ordens disponíveis são limitados (ordens ao mercado, com limite de preço e recorrentes), o que pode ser suficiente para estratégias de longo prazo. Exemplo de uma compra de um ETF:

Mercados e produtos financeiros
A Lightyear oferece ações, ETFs e obrigações. Para além disso, permite-te investir em ações fracionadas de alguns destes ativos. Por outras palavras, se uma ação tiver um custo de 100€, podes comprar apenas uma parte (uma fração), por exemplo, 10€, e ficar com 0,10 unidades dessa ação.
Nota sobre as ações fracionadas: só podem ser compradas por meio de ordens de mercado e não são transferíveis para outras corretoras, sendo necessário vendê-las na própria plataforma para recuperar o valor investido.
Ações
A Lightyear permite investir em ações de Portugal, dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Bélgica, do Canadá, da China, da França, da Alemanha, dos Países Baixos, da Espanha, entre outros países.
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ETFs
Os ETFs são o principal trunfo da Lightyear. Não existe comissão de execução, a oferta cobre os principais índices e regiões e é uma solução interessante para estratégias “buy & hold”.
Naturalmente, continuam a incidir os custos do próprio ETF (TER) e os spreads de mercado.

Obrigações
Apesar de haver muito pouco destaque às obrigações, quer no site, quer na própria plataforma, a Lightyear também oferece este tipo de investimento. De momento, tens pouco mais de 30 obrigações à tua escolha:
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Juros sobre o dinheiro não investido
Desde outubro de 2025, a Lightyear deixou de pagar juros sobre dinheiro não investido na maioria dos países onde opera.
Atualmente, apenas alguns países (como Reino Unido, Irlanda e Hungria) continuam a beneficiar de juros, dependendo da moeda.
Para investidores portugueses, a regra é simples: dinheiro parado na conta não rende juros e não há alternativa via MMFs na plataforma.
Taxas e comissões
Para investidores portugueses, a taxa de conversão de moeda poderá ser o custo mais relevante a monitorizar, sobretudo para quem investe regularmente em ativos denominados em USD.
A Lightyear apresenta a seguinte tabela a comparar-se com a concorrência relativamente aos custos:

Segurança e regulação
A Lightyear Europe AS é uma empresa de investimento licenciada e regulada pela Autoridade de Supervisão e Resolução Financeira da Estónia (EFSA), permissão 4.1-1/31. Enquanto entidade regulada na União Europeia, está sujeita a rigorosas obrigações quanto à proteção e segregação dos ativos dos clientes.

Além disso, a Lightyear encontra-se registada junto das autoridades financeiras dos países onde opera, incluindo a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) em Portugal, ao abrigo do regime de passaporte europeu:

No que diz respeito ao historial da corretora, é importante ter em conta que a Lightyear é uma empresa recente, com um track record limitado, o que constitui uma desvantagem (é uma startup).
Além disso, o facto de a Lightyear não ser uma empresa cotada em bolsa significa que tem menos obrigações de divulgação de informação quando comparada com corretoras cotadas em bolsa, como a Interactive Brokers ou DEGIRO.
No entanto, o facto de ser regulada por entidades de topo, de contar com uma equipa de gestão experiente, de ter investidores conhecidos e reputados e, ainda, de ter atingido mil milhões de dólares em ativos sob gestão, são sinais positivos.
Como são protegidos os ativos dos clientes?
A Lightyear utiliza um mecanismo legal chamado salvaguarda (safeguarding), que define como os fundos e investimentos dos clientes devem ser tratados. Importa sublinhar desde já um ponto essencial:
Estas proteções não cobrem perdas decorrentes do mau desempenho dos investimentos. Os mercados podem subir ou descer, e o risco de mercado é sempre do investidor.
Dito isto, a salvaguarda implica que, por lei:
- Os fundos não investidos dos clientes são mantidos separados dos fundos próprios da Lightyear. Esses montantes são mantidos em instituições de crédito regulamentadas da UE e em fundos do mercado monetário com classificação creditícia adequada. Entre as principais entidades utilizadas estão:
- o ABN AMRO (Países Baixos);
- Fundos do mercado monetário da BlackRock, classificados como AAA/MMF pelas agências Moody’s, S&P e Fitch;
- Uma pequena parte dos fundos é mantida no banco LHV, na Estónia.
- A Lightyear nunca utiliza o dinheiro ou os investimentos dos clientes para as suas próprias necessidades. Ao contrário dos bancos tradicionais, não empresta fundos de clientes a terceiros, nem os utiliza para financiar a sua atividade.
- Os ativos investidos (ações, ETFs, etc.) são detidos por entidades de custódia autorizadas, em contas separadas dos ativos da própria Lightyear. Os clientes são sempre os beneficiários efetivos dos títulos que compram na plataforma.
- Os credores da Lightyear não têm acesso aos ativos dos clientes. Mesmo no cenário improvável de insolvência da corretora, os ativos dos clientes teriam de ser devolvidos, pois não integram o balanço da empresa.
Mecanismo de compensação ao investidor (UE)
Para além da segregação e da custódia independente, os clientes da Lightyear estão abrangidos pelo Fundo Setorial de Proteção dos Investidores da Estónia, que oferece uma compensação até 20.000€ por cliente, caso:
- Todas as medidas de salvaguarda falhem, e
- Existe impossibilidade de devolução dos ativos.
Este limite aplica-se independentemente do país de residência do investidor, cobre o conjunto de ativos e o dinheiro do cliente, e aplica-se separadamente a contas pessoais e empresariais, caso existam.
É importante notar que este mecanismo só seria acionado em situações extremas, uma vez que a estrutura de segregação de ativos faz com que, na prática, os ativos dos clientes permaneçam intactos e recuperáveis na íntegra.
Proteção adicional para ações dos EUA (SIPC)
No caso específico das ações norte-americanas, os títulos são detidos através da Alpaca, um parceiro da Lightyear regulado pela FINRA e membro da Securities Investor Protection Corporation (SIPC).
Isto significa que os títulos dos EUA estão protegidos até 500.000 USD por cliente no caso de insolvência da entidade custodiante (Alpaca).
Por que é que um cenário de perda de ativos é considerado muito improvável?
Tal como acontece com corretoras europeias, este cenário é considerado muito improvável por várias razões:
- A Lightyear não detém diretamente os teus ativos: os investimentos são mantidos por custodiantes independentes, em contas segregadas, totalmente separadas do balanço da empresa.
- Os ativos não entram em processos de insolvência: mesmo que a Lightyear enfrente dificuldades financeiras, os teus ativos não podem ser utilizados para pagar dívidas da empresa.
- A ausência de segregação configuraria fraude: se uma corretora regulada não conseguisse devolver os ativos dos clientes, isso indicaria uma falha grave ou fraude e aí, entraria o fundo de compensação aos investidores, de até 20.000 €.
- Os ativos são sempre teus: o principal inconveniente seria o tempo necessário para transferir os títulos para outra corretora, um processo que poderia demorar semanas ou meses, mas não implicaria a perda dos ativos.E ainda há a opção de venda dos ativos.
Abertura de conta
Abrir conta na Lightyear é um processo totalmente digital e costuma levar entre 5 e 10 minutos, salvo pedidos adicionais de documentação. Requisitos:
- Documento de identificação válido (cartão de cidadão);
- Residência num país elegível (Portugal incluído);
- Número de telefone e dados fiscais;
- Conta bancária para depósitos/levantamentos.
O processo é intuitivo e adequado a quem está a investir pela primeira vez.

Apoio ao cliente
O apoio ao cliente da Lightyear é feito em português e por meio digital:
- E-mail: support@lightyear.com
- Através da aplicação
- Centro de ajuda.

Não há suporte telefónico nem chat ao vivo 24/7.
A qualidade do suporte tende a ser razoável, mas os tempos de resposta podem variar. Para investidores que valorizam apoio imediato, este é um ponto menos positivo.
Veredicto final: vale a pena investir através da Lightyear em Portugal?
A Lightyear pode fazer sentido para investidores portugueses iniciantes ou intermédios que procuram uma plataforma simples, moderna e com ETFs sem comissão de execução, especialmente para estratégias de longo prazo do tipo “buy & hold”.
A experiência de uso é intuitiva, a abertura de conta é rápida e a estrutura de custos é clara, sem taxas de custódia, de inatividade ou de levantamento. A conta multi-moeda é um ponto positivo, embora a taxa de conversão cambial de 0,35% deva ser considerada por quem investe com frequência em USD ou GBP.
Em contrapartida, a Lightyear pode não ser a melhor escolha para investidores mais avançados ou para quem procura uma corretora “tudo-em-um”: a oferta de produtos é mais limitada, as ferramentas e tipos de ordens são básicos, não há juros sobre dinheiro não investido em Portugal.
Do ponto de vista da segurança, a Lightyear apresenta um enquadramento sólido, com ativos segregados, regulação europeia, registo na CMVM e mecanismos de proteção ao investidor alinhados com os padrões do setor.
Em suma, a Lightyear cumpre bem o seu papel como plataforma simples e low-cost para investir em ações e ETFs, mas deve ser encarada com expectativas realistas e, em muitos casos, como complemento, e não substituto, de corretoras mais completas.
Disclaimer: O capital está em risco. O prestador dos serviços de investimento é a Lightyear Europe AS para a UE. Aplicam-se os termos: lightyear.com/terms. Isto não constitui aconselhamento de investimento.




