O que é um Fundo do Mercado Monetário (FMM)?


Existem várias formas de rentabilizar o teu dinheiro através de investimentos com baixo risco. Os fundos do mercado monetário são uma dessas formas. Corretoras como a Interactive Brokers, Trading 212 ou a Lightyear, utilizam estes instrumentos para te oferecer os juros publicitados. Por que não investires tu diretamente neles?
Neste artigo, vamos explicar-te, de forma simples, o que são fundos do mercado monetário, os seus riscos, e como podes investir nos mesmos.
O que é um fundo do mercado monetário?
Um fundo do mercado monetário (em inglês: money market fund) é um tipo de investimento que aplica o dinheiro dos investidores em ativos de baixo risco e curto prazo (inferior a 1 ano), como dívida pública (emitida por governos) ou obrigações de empresas sólidas.
Pensa nos fundos do mercado monetário como uma solução de investimento para gestão de liquidez e que, ao mesmo tempo, te permite diversificar a carteira.
Para que servem?
Apesar de não terem garantia de capital (estão sujeitos às flutuações do mercado), costumam ser usados por quem quer manter o dinheiro num sítio relativamente seguro enquanto não decide onde investir a longo prazo e também por quem apenas pretender guardar a liquidez (ou seja, dinheiro facilmente disponível) numa carteira de investimentos.
Em resumo:
- São seguros? Relativamente mais seguros do que ações, por exemplo, mas não isentos de risco.
- Rentáveis? Pouco, mas melhores do que deixar o dinheiro parado na conta à ordem.
- Flexíveis? Sim, permite-te vender a tua posição com relativa facilidade.
Como funcionam?
Quando investes num fundo do mercado monetário, o teu dinheiro é usado para comprar:
- Dívida pública de curto prazo (como títulos do governo com maturidade inferior a 1 ano)
- Obrigações de empresas com boa classificação de risco (rating elevado)
- Depósitos interbancários (dinheiro emprestado entre bancos)
O objetivo destes fundos é preservar o valor do capital e ainda gerar algum rendimento.
Tipos de fundos do mercado monetário
Podes encontrar este tipo de fundos sob duas estruturas de investimentos. Os dois mais comuns são:
- ETFs (Exchange Traded Funds): São fundos que se compram e vendem na bolsa como se fossem ações. Têm custos baixos e são muito práticos.
- Fundos de investimento tradicionais: Funcionam de forma parecida aos ETFs, mas apenas podem ser transacionados uma vez por dia.
Quais são os riscos?
Mesmo sendo considerados seguros, estes fundos têm alguns riscos:
- Risco de taxa de juro: Se as taxas de juro subirem, o valor dos ativos do fundo pode descer (o risco é baixo porque apenas tem obrigações com baixas maturidades, mas continua lá);
- Risco de crédito: Há uma pequena possibilidade de que um emissor (ex: uma empresa ou governo) não pague a sua dívida.
Quanto rendem atualmente?
A rentabilidade de um fundo do mercado monetário em euros acompanha de perto as taxas de juro de curto prazo definidas pelo Banco Central Europeu (BCE). Na prática, o rendimento segue o €STR (a taxa overnight de referência da Zona Euro), que anda muito próximo da taxa de depósito do BCE.
Em junho de 2026, o BCE subiu a taxa de depósito para 2,25% (a primeira subida desde 2023). Isto significa que, neste momento, um FMM em euros tende a render aproximadamente esse valor ao ano, antes de custos e impostos. Quando o BCE corta as taxas, o rendimento destes fundos desce de imediato; quando sobe, acontece o contrário.
Exemplos reais
Aqui ficam dois exemplos concretos de fundos do mercado monetário disponíveis para pequenos investidores:
1. Amundi ETF Govies 0-6 Months Euro Investment Grade UCITS ETF EUR (C)
- Código ISIN: FR0010754200
- Investe em dívida pública de países da Zona Euro com vencimento inferior a 6 meses.
- É um ETF: pode ser comprado na bolsa como uma ação.
- Muito usado para preservar capital com risco mínimo.
- Baixo custo (0,14%) e acesso fácil através de várias corretoras.
A sua evolução tem sido a esperada para um fundo deste tipo:
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Agora, tu perguntas: “Por que baixou entre 2015 e final de 2022?”. A resposta está ligada com as taxas de juro. Esse foi o período em que as taxas de juros estavam negativas. Ora, como o fundo, pelo seu mandato, é obrigado a investir em dívidas de boa qualidade, esses instrumentos estavam a oferecer rentabilidades negativas e isso refletiu-se nesse fundo.
À medida que o Banco Central Europeu (BCE) foi aumentando as taxas de juro, a evolução desse ETF tornou-se positiva. Por outras palavras, se voltássemos a um regime de taxas de juro próximas de zero ou até mesmo negativas, o melhor para ti seria ter o dinheiro parado na tua conta bancária.
2. BlackRock ICS Euro Liquidity Fund
- Código ISIN: IE00B3L10570
- É um fundo de investimento: só pode ser transacionado uma vez por dia.
- Investe em dívida de empresas e governos com excelente classificação de crédito.
- Disponível na corretora Interactive Brokers, mas exige um investimento mínimo de 10.000€.
- Muito usado por investidores e empresas para gerir liquidez com segurança.
A sua evolução tem sido a esperada para um fundo deste tipo (a justificação para as rentabilidades negativas entre 2015 e 2022 é a mesma apresentada no ETF anterior):
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Fundo do mercado monetário vs. Depósito a prazo
Tanto os depósitos a prazo como os fundos do mercado monetário servem para guardar dinheiro com baixo risco. Mas funcionam de formas diferentes e têm características próprias.
Fundo do mercado monetário vs. Certificados de Aforro
Em Portugal, o concorrente mais direto de um FMM para quem quer baixo risco são os Certificados de Aforro. As principais diferenças:
- Garantia: os Certificados de Aforro são uma dívida do Estado português, sem risco de mercado relevante; um FMM não tem garantia de capital, embora o risco seja muito baixo.
- Liquidez: os Certificados de Aforro só permitem resgate após 3 meses; um FMM costuma ter liquidez diária.
- Rentabilidade: os Certificados de Aforro seguem uma taxa indexada à Euribor a 3 meses, com prémios de permanência; um FMM segue o €STR/taxa do BCE.
- Acesso: os Certificados de Aforro subscrevem-se nos CTT ou no Espaço Cliente do IGCP; um FMM compra-se através de uma corretora.
Para a maioria dos pequenos aforradores, os Certificados de Aforro continuam a ser uma opção muito competitiva. Um FMM ganha relevância sobretudo para quem já investe através de uma corretora e quer gerir a liquidez no mesmo sítio.
Juros oferecidos por corretoras e bancos digitais
Muitas corretoras e bancos digitais já oferecem taxas de juro altas sobre o teu dinheiro.
Estas taxas de juro são normalmente obtidas através de uma mistura de Fundos do Mercado Monetário e depósitos bancários.
Alguns exemplos onde podes verificar isso na prática são a Trading 212 (imagem abaixo), a Revolut, ou a Lightyear:

Como são tributados os fundos do mercado monetário em Portugal?
Esta é a parte que muitos investidores esquecem - e que faz diferença no rendimento final. Em Portugal, os ganhos de um fundo do mercado monetário são tributados como qualquer outro investimento em fundos ou ETFs:
- ETFs/fundos de acumulação: não há imposto enquanto não venderes. Só pagas quando resgatas, sobre a mais-valia realizada, à taxa de 28%. É o equivalente a "adiar" o imposto.
- Fundos de distribuição: os rendimentos pagos periodicamente são tributados a 28% (categoria E) no momento em que os recebes.
Onde declarar depende da corretora:
- Corretora estrangeira (a maioria - Interactive Brokers, Trading 212, etc.): és tu o responsável por declarar as mais-valias no Anexo J da tua declaração de IRS.
- Corretora com sucursal em Portugal (como a XTB): pode fazer a retenção dos 28% automaticamente, simplificando o processo.
Podes sempre optar pelo englobamento, que pode compensar se tiveres um escalão de IRS baixo. Para o detalhe de quadros e códigos, vê o nosso guia de como declarar investimentos no IRS e, no caso específico de juros de saldo, o artigo Revolut e IRS.
Conclusão
Os fundos do mercado monetário podem ser uma excelente alternativa para quem quer rentabilizar o dinheiro de forma prudente, com maior flexibilidade e diversificação do que um simples depósito a prazo. Não são isentos de risco, mas o seu perfil conservador torna-os ideais para guardar liquidez enquanto decides os teus próximos passos no mundo dos investimentos.
Se procuras uma forma de “estacionar” o teu dinheiro com baixo risco, com acesso rápido e uma rentabilidade mais interessante do que deixar o dinheiro parado no banco, os fundos do mercado monetário podem ser exatamente aquilo que procuras.
Investir adequadamente começa por perceber onde colocas o teu dinheiro e agora já sabes mais um bom lugar onde o podes pôr a trabalhar por ti.
Nota: este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento fiscal. Em caso de dúvida, consulta um contabilista.
Perguntas frequentes
Os fundos do mercado monetário têm garantia de capital?
Não. Ao contrário de um depósito a prazo (coberto pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000€), um FMM não tem garantia de capital. Ainda assim, é dos investimentos de mercado com menor risco, por investir em dívida de curto prazo e de elevada qualidade.
Qual a diferença entre um FMM e uma conta poupança?
Uma conta poupança é um produto bancário com uma taxa definida pelo banco; um FMM é um fundo que investe em vários instrumentos de curto prazo e cuja rentabilidade varia com o mercado. O FMM tende a oferecer mais diversificação, mas sem garantia de capital.
Os FMM pagam juros mensais?
Depende da estrutura. Os fundos de acumulação não distribuem nada - o rendimento reflete-se no valor da unidade de participação. Os de distribuição pagam periodicamente. A maioria dos investidores em Portugal usa versões de acumulação por eficiência fiscal.
Posso perder dinheiro num FMM?
É possível, embora pouco provável em condições normais. O valor pode oscilar ligeiramente, sobretudo em momentos de stress nos mercados de crédito ou de subidas rápidas das taxas. Para a maioria dos cenários, o risco é muito baixo.




