1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
·
01.09.2026

Crédito habitação: guia completo 2026 (como funciona, requisitos, passos e custos)

Comprar casa é, para a maioria das pessoas, a maior decisão financeira da vida e quase ninguém a faz sem crédito habitação. O problema é que o processo está cheio de siglas, regras que mudam todos os anos e custos que aparecem quando já estás a meio do caminho.

Este guia explica tudo por ordem, do primeiro cálculo à escritura, com as regras em vigor em 2026. Não precisas de perceber de finanças para o seguir. Sempre que aparecer um termo técnico, está explicado ao lado.

Se preferires começar pelos números, usa o simulador de crédito habitação para veres a prestação e a calculadora de quanto posso pedir para saberes até onde o banco vai.

O que é o crédito habitação

O crédito habitação é um empréstimo que o banco te dá para comprares uma casa, com a própria casa a servir de garantia. Se deixares de pagar, o banco pode ficar com a casa para recuperar o dinheiro. É por isso que se chama crédito hipotecário: a hipoteca é essa garantia registada sobre o imóvel.

Em troca, o banco cobra juros durante todo o prazo do empréstimo, que em Portugal chega aos 35 ou 40 anos. É um crédito muito mais barato do que um crédito pessoal, por exemplo, precisamente porque o banco tem a casa como garantia. Pode servir para comprar casa (nova ou usada), construir, fazer obras, comprar terreno para construir, ou trocar de banco (transferência de crédito).

Este guia foca-se na compra de habitação própria e permanente, que é o caso mais comum e o que tem melhores condições: cerca de 90% dos novos créditos habitação em Portugal são para esse fim.

Novos empréstimos à habitação em Portugal por finalidade, 2018 a 2026
Novos empréstimos à habitação por finalidade. Fonte: Banco de Portugal, BPstat

Quanto é que o banco empresta

O banco nunca empresta o valor todo da casa. Em 2026, a regra do Banco de Portugal é esta:

  • Até 90% do valor da casa se for para habitação própria e permanente.
  • Até 80% para outras finalidades (segunda casa, casa para arrendar).
  • Até 100% só para jovens até aos 35 anos com a garantia pública do Estado (explicado mais abaixo).

Este limite chama-se LTV (loan-to-value, ou rácio entre o empréstimo e o valor da casa). Os 90% aplicam-se ao menor de dois valores, o preço que vais pagar ou o valor da avaliação que o banco manda fazer. Se comprares uma casa por 200.000€ e o avaliador do banco disser que vale 190.000€, o banco empresta no máximo 90% de 190.000€, ou seja, 171.000€. A diferença sai do teu bolso.

Isto significa que precisas de ter, no mínimo, 10% de entrada mais os custos da compra (impostos, escritura, avaliação), que rondam mais 3% a 4%. Para uma casa de 200.000€, conta com cerca de 27.700€ de poupança antes de avançar.

Estas regras estão na Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal, que substituiu a de 2018 e se aplica aos créditos avaliados a partir de 1 de agosto de 2026.

Taxa de esforço: a regra que decide se o banco diz sim

A taxa de esforço é a percentagem do teu rendimento líquido que vai para pagar créditos. Se ganhas 2.000€ líquidos e pagas 600€ de prestações, a tua taxa de esforço é 30%.

Desde agosto de 2026, o Banco de Portugal recomenda aos bancos que a taxa de esforço não ultrapasse 45% (antes era 50%). Há dois detalhes importantes:

  1. O banco conta todos os teus créditos, não só o da casa: crédito automóvel, crédito pessoal, cartões de crédito, tudo entra.
  2. O banco faz a conta com um "choque" na taxa de juro: Se pedires crédito a taxa variável ou mista, o banco simula uma subida da Euribor e calcula a taxa de esforço com essa prestação mais alta, não com a prestação de hoje. Se tiveres mais de 70 anos no fim do contrato, o banco também reduz o rendimento que considera a partir dessa idade.

Na prática, para o banco aprovar um crédito de 180.000€ a 30 anos, com uma prestação real de cerca de 830€, vai testar se aguentas uma prestação de 1.100€ ou mais. Com 2.500€ líquidos em casa, passas. Com 2.000€, provavelmente não.

Os bancos podem ultrapassar os 45% em apenas 10% dos créditos que concedem por ano. Não contes com isso.

Para teres uma referência, em junho de 2026 metade das famílias com crédito habitação pagava menos de 350€ por mês e só 10% pagavam mais de 790€. A prestação mediana subiu cerca de 110€ desde 2021, por causa da subida da Euribor.

Prestação mensal dos créditos habitação própria e permanente em Portugal por percentil, 2021 a 2026
Prestação mensal dos créditos para habitação própria e permanente, por percentil. Fonte: Banco de Portugal, BPstat

Faz as contas na calculadora de taxa de esforço antes de ires ao banco. Se ficares acima dos 45% com o choque, tens três saídas: mais entrada, casa mais barata ou liquidar créditos pequenos antes de pedires o da casa.

Prazo máximo e idade

O prazo do crédito habitação depende da tua idade à data do contrato. É uma regra do Banco de Portugal em vigor desde agosto de 2026:

Idade do titular mais velhoPrazo máximo
Até 35 anos40 anos
Mais de 35 anos35 anos

Além disto, cada banco tem uma idade máxima no fim do contrato, normalmente 75 anos (alguns aceitam 80). Se tens 50 anos, o prazo real será de 25 anos, e não 35.

Prazo mais longo significa prestação mais baixa mas muito mais juros no total. Num crédito de 180.000€ a 3,7%, passar de 30 para 40 anos baixa a prestação em cerca de 110€ por mês, mas aumenta os juros totais em quase 47.000€. Vê os dois cenários no simulador antes de decidir.

Taxa fixa, variável ou mista

A taxa de juro é o que o banco te cobra por ano sobre o dinheiro emprestado. Chama-se TAN (taxa anual nominal). No crédito habitação, a TAN pode ser de três tipos.

  • Taxa variável: A TAN é a soma de duas partes: a Euribor (uma taxa de referência europeia que muda todos os dias) e o spread (a margem do banco, que fica fixa no contrato). Se a Euribor sobe, a tua prestação sobe na próxima revisão. Se desce, a prestação desce. Em Portugal, os contratos usam a Euribor a 3, 6 ou 12 meses, e é esse prazo que define de quanto em quanto tempo a prestação é revista.

Em julho de 2026, a média mensal da Euribor foi de 2,65% a 6 meses e 2,86% a 12 meses. Com um spread de 0,8%, a TAN de um crédito indexado à Euribor a 12 meses fica perto dos 3,7%.

  • Taxa fixa: A TAN fica igual do primeiro ao último mês. Sabes exatamente quanto pagas durante 30 anos. Em troca, o banco cobra uma taxa mais alta do que a variável de hoje, porque assume o risco de a Euribor subir.
  • Taxa mista: Fixa durante um período inicial (2, 5, 10 ou mais anos) e variável depois. É a modalidade que mais cresceu nos últimos anos, porque dá previsibilidade nos primeiros anos, que são os mais apertados, sem fechar a taxa por 30 anos.

Os portugueses mudaram muito de opinião sobre isto. Em 2021, 85% dos novos créditos eram a taxa variável. Em 2026, mais de 80% são a taxa mista e a variável ficou abaixo dos 15%.

Peso da taxa fixa, mista e variável nos novos créditos habitação em Portugal, 2021 a 2026
Peso da taxa fixa, mista e variável nos novos créditos habitação (maio de 2021 a junho de 2026). Fonte: Banco de Portugal, BPstat

E, ao contrário do que seria de esperar, a mista é hoje a mais barata: em junho de 2026, a taxa média dos novos créditos era de 2,8% na mista, 3,1% na variável e 3,7% na fixa. Os bancos usam a mista, com um período fixo curto e promocional, para ganhar clientes.

Taxas de juro médias dos novos créditos para habitação própria e permanente por tipo de taxa, 2021 a 2026
Taxas de juro médias dos novos créditos para habitação própria e permanente, por tipo de taxa. Fonte: Banco de Portugal, BPstat

Não há resposta certa para todos. A variável compensa se a Euribor descer e tens folga no orçamento para aguentar subidas. A fixa compensa se a prestação já está no limite do que aguentas e não queres surpresas. Pede sempre simulações das três nos mesmos bancos e compara. Os riscos e benefícios de cada uma estão detalhados no artigo sobre taxa fixa, variável ou mista.

Spread, TAEG e MTIC: os três números para comparar propostas

Quando o banco te faz uma proposta, olha para estes três números, por esta ordem.

  1. Spread: É a margem do banco. É o único número que consegues negociar. Os bancos anunciam spreads baixos, mas normalmente só os dão se contratares outros produtos: ordenado domiciliado, cartão de crédito, seguros do banco, PPR. Cada produto tem um custo. Um spread de 0,7% com três seguros caros pode sair mais caro do que um spread de 1% sem nada. Como negociar e quanto vale cada décima está no artigo do spread no crédito habitação.
  2. TAEG (taxa anual de encargos efetiva global): Junta os juros, as comissões, os seguros obrigatórios e os impostos num único número anual. É o indicador legal para comparar propostas com o mesmo montante e prazo. Uma TAEG mais baixa é um crédito mais barato.
  3. MTIC (montante total imputado ao consumidor): É quanto vais pagar ao todo, do primeiro ao último dia, incluindo o capital. Para um crédito de 180.000€ a 30 anos com TAEG de 4,2%, o MTIC anda perto dos 310.000€. É o número que mostra o custo real da decisão.

Os três aparecem na FINE (ficha de informação normalizada europeia), o documento que o banco é obrigado a dar-te com todas as condições da proposta. O Banco de Portugal explica como ler a FINE.

Quanto custa comprar casa: os custos além da entrada

Além dos 10% de entrada, há custos que pagas antes de teres a chave. Exemplo para uma casa de 200.000€, habitação própria e permanente, com crédito de 180.000€, comprador com mais de 35 anos no continente:

CustoValorQuando pagas
IMT (imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis)3.542€Antes da escritura
Imposto do selo sobre a compra (0,8% do preço)1.600€Antes da escritura
Imposto do selo sobre o crédito (0,6% do valor emprestado)1.080€Na escritura
Avaliação do imóvel200€ a 350€Quando pedes o crédito
Comissões do banco (dossier, formalização)200€ a 750€Na aprovação e na escritura
Escritura e registos (Casa Pronta, compra com hipoteca)700€Na escritura
Total aproximadocerca de 7.700€

Somando à entrada de 20.000€, precisas de cerca de 27.700€ para fechar o negócio. Depois ainda vêm os seguros (vida e multirriscos), que pagas todos os anos. O detalhe de cada custo, com valores por preço de casa, está no artigo sobre quanto custa comprar casa.

  • IMT: É o imposto mais pesado. Em 2026, para habitação própria e permanente no continente, não pagas nada até 106.346€ e, acima disso, a taxa sobe por escalões: 2% até 145.470€, 5% até 198.347€, 7% até 330.539€ e 8% até 660.982€, sempre só sobre a parte que cai em cada escalão. Na casa de 200.000€ do exemplo, dá 3.542€. Para uma segunda casa ou casa para arrendar, pagas desde o primeiro euro (1% no primeiro escalão) e não há isenções. As tabelas oficiais estão no artigo 17.º do Código do IMT, no Portal das Finanças.
  • Imposto do selo: Pagas duas vezes: 0,8% sobre o preço da casa e 0,6% sobre o valor do empréstimo (para prazos acima de 5 anos). Os juros do crédito para habitação própria e permanente estão isentos de imposto do selo.
  • Avaliação: O banco manda um avaliador independente à casa para confirmar o valor. Pagas tu, mesmo que o crédito não avance. Tens direito a receber uma cópia do relatório e a pedir uma segunda avaliação se discordares do valor.

Apoios para jovens até aos 35 anos em 2026

Se tens até 35 anos (inclusive) na data da escritura e estás a comprar a tua primeira habitação própria e permanente, há três apoios que mudam as contas por completo. Só um deles tem prazo: a garantia pública do Estado só cobre contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026 e até agora não houve decisão sobre prorrogá-la. As isenções fiscais não têm data para acabar.

1. Isenção de IMT e de imposto do selo na compra: Isenção total para casas até 330.539€ e parcial até 660.982€ (só pagas sobre a parte que excede os 330.539€). Na casa de 200.000€ do exemplo acima, poupas os 3.542€ de IMT e os 1.600€ de imposto do selo. Também ficas isento dos emolumentos do registo. O imposto do selo de 0,6% sobre o crédito continua a pagar-se. Não podes ter sido proprietário de outra casa nos últimos 3 anos e tens de ser independente para efeitos de IRS. Se compras a meias com alguém que tem mais de 35 anos ou já tem casa, a isenção aplica-se só à tua metade. O pedido faz-se no Portal das Finanças antes da escritura.

2. Garantia pública do Estado: O Estado fica como fiador de até 15% do valor da casa, o que permite ao banco emprestar 100% e dispensa a entrada. Condições: entre 18 e 35 anos, rendimento até ao 8.º escalão de IRS, casa até 450.000€, primeira habitação própria e permanente, sem outra casa em nome, situação regularizada nas Finanças e na Segurança Social. Foi criada pelo Decreto-Lei n.º 44/2024 e regulamentada pela Portaria n.º 236-A/2024. No segundo trimestre de 2026, mais de metade dos créditos habitação a jovens foi feito com esta garantia. Tudo o que precisas de saber está no guia do crédito habitação jovem.

3. Condições comerciais dos bancos: Quase todos os bancos criaram produtos "jovem" com spreads mais baixos e prazos até 40 anos.

Um aviso: financiar 100% com prazo de 40 anos é o cenário de maior risco. Se a Euribor subir ou a casa perder valor, podes ficar a dever mais do que a casa vale. O Banco de Portugal tem alertado para isso. Usa a garantia para entrar no mercado, não para comprar a casa mais cara que o banco aceitar.

Os 8 passos do crédito habitação, por ordem

1. Faz as contas antes de procurar casa: Calcula a tua taxa de esforço com todos os créditos, vê quanto tens de entrada mais custos e usa a calculadora de quanto posso pedir. Define o teu preço máximo com base nisto, não com base no que gostavas de comprar.

2. Pede pré-aprovação a 2 ou 3 bancos: Antes de teres casa escolhida, os bancos analisam o teu perfil e dizem quanto emprestam. Alguns dão um documento (carta de pré-aprovação) que podes mostrar ao vendedor. Demora entre alguns dias e duas semanas. Não é vinculativo: o valor final depende da avaliação da casa.

3. Encontra a casa e faz o contrato-promessa (CPCV): Quando chegares a acordo no preço, assina-se um contrato-promessa de compra e venda e paga-se um sinal (normalmente 10% a 20%). Se desistires, perdes o sinal. Se o vendedor desistir, tem de devolver o dobro. Faz o CPCV com a condição de o crédito ser aprovado, para não perderes o sinal se o banco recusar.

4. Entrega a proposta e os documentos ao banco: Com a casa identificada, o banco faz a análise formal. Documentos habituais: cartão de cidadão, últimos 3 recibos de vencimento, última declaração de IRS e nota de liquidação, extratos bancários, declaração da entidade patronal, mapa de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal, caderneta predial e certidão permanente do imóvel, CPCV.

5. Avaliação da casa: O banco marca a avaliação. Demora 1 a 3 semanas. Se o valor ficar abaixo do preço, o banco reduz o empréstimo e tens de cobrir a diferença.

6. Aprovação, FINE e período de reflexão: O banco entrega a FINE com as condições finais e a minuta do contrato. Por lei, a proposta é válida durante pelo menos 30 dias e tens um período mínimo de reflexão de 7 dias durante o qual não podes assinar o contrato. É uma regra do Decreto-Lei n.º 74-A/2017, explicada pelo Banco de Portugal. Usa esse tempo para comparar com as outras propostas e negociar o spread.

7. Pagas o IMT e o imposto do selo: Antes da escritura, no Portal das Finanças ou num serviço de Finanças. Se és jovem com direito a isenção, pedes a isenção nesse momento.

8. Escritura e registo: Assinas a compra e o contrato de crédito no mesmo dia, normalmente num balcão Casa Pronta, num notário ou no próprio banco. O banco paga ao vendedor, a casa fica registada em teu nome e a hipoteca fica registada a favor do banco. A partir daqui, a prestação é debitada todos os meses.

Do CPCV à escritura, conta com 1 a 2 meses. Se o banco for lento ou a avaliação atrasar, pode chegar aos 3.

Seguros: o que é obrigatório e o que é venda

Seguro de vida: Todos os bancos o exigem, mas desde maio de 2026 só podem exigir a cobertura de morte. As coberturas de invalidez podem ser propostas, inclusive em troca de custos mais baixos no crédito, mas a decisão é tua. Não és obrigado a fazê-lo no banco: podes contratar noutra seguradora, muitas vezes por metade do preço. O banco pode subir o spread se não fizeres o seguro com ele, por isso compara o custo total das duas opções, não só o spread. Se quiseres cobertura de invalidez, escolhe ITP (invalidez total e permanente), que é bem mais fácil de acionar do que a IAD (invalidez absoluta e definitiva).

Seguro multirriscos: Cobre a casa (incêndio, inundações, roubo). O seguro contra incêndio é obrigatório por lei em prédios em propriedade horizontal. O multirriscos completo é exigido pelo banco. Também podes contratá-lo fora do banco.

Os seguros são um custo anual que dura o contrato todo. Num crédito de 30 anos, a diferença entre um seguro de vida caro e um barato pode ultrapassar os 10.000€.

Depois de teres o crédito: o que podes mudar

Amortizar antecipadamente: Podes pagar parte ou a totalidade da dívida quando quiseres. Desde 1 de janeiro de 2026, a comissão voltou a ser cobrada: até 0,5% do valor amortizado na taxa variável e até 2% na taxa fixa, mais 4% de imposto do selo sobre a comissão. A isenção que existiu entre 2022 e 2025 para a taxa variável terminou (Lei n.º 1/2025) e o Orçamento do Estado para 2026 não a prolongou. Vê quanto poupas em juros no simulador de amortização.

Transferir para outro banco: Se outro banco te oferecer um spread mais baixo, podes mudar o crédito. Pagas a comissão de reembolso antecipado ao banco antigo e, no novo, a avaliação e os custos de registo da nova hipoteca (muitos bancos assumem estes custos para ganhar o cliente). Compensa quando a poupança nos juros dos anos que faltam supera esses custos.

Renegociar: Se a tua situação melhorou ou os spreads do mercado desceram, pede ao teu banco para baixar o spread. Levar uma proposta de outro banco é o argumento que funciona. Se estiveres em dificuldades para pagar, o banco é obrigado por lei a avaliar soluções (alargar o prazo, carência de capital) antes de avançar para qualquer execução.

Erros a evitar

  • Olhar só para a prestação: uma prestação baixa com prazo de 40 anos pode custar quase 50.000€ a mais em juros. Compara TAEG e MTIC.
  • Aceitar todos os produtos do banco sem fazer contas: Cada seguro, cartão ou PPR que baixa o spread tem um custo. Soma-os.
  • Esgotar as poupanças na entrada: Depois da escritura vêm obras, mobília e imprevistos. Guarda um fundo de emergência de 3 a 6 meses de despesas.
  • Ir a um só banco: As diferenças de spread entre bancos chegam a 0,5 pontos, o que num crédito de 180.000€ são milhares de euros. Pede no mínimo três propostas.
  • Assinar o CPCV sem condição de crédito aprovado: Se o banco recusar, perdes o sinal.
  • Ignorar o choque de taxa: Se a prestação de hoje já te deixa apertado, uma subida de 2 pontos na Euribor põe-te em incumprimento.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a aprovação de um crédito habitação?

Entre 2 e 6 semanas desde a entrega dos documentos até à carta de aprovação, dependendo do banco e da rapidez da avaliação. A escritura acontece 1 a 2 meses depois do CPCV.

Posso pedir crédito habitação sem entrada?

Só com a garantia pública para jovens até aos 35 anos, que permite 100% de financiamento até 31 de dezembro de 2026. Fora disso, o máximo é 90% e precisas de 10% de entrada mais custos.

Qual é a taxa de esforço máxima em 2026?

O Banco de Portugal recomenda 45%, calculada com todos os créditos e com um choque na taxa de juro. Os bancos podem ultrapassar em apenas 10% dos créditos que concedem.

Até que idade posso pedir crédito habitação?

Não há limite legal, mas o prazo máximo é de 35 anos para quem tem mais de 35 e a maioria dos bancos exige que o contrato termine até aos 75 anos. Com 55 anos, o prazo real será de 20 anos.

O crédito habitação com taxa variável ou fixa é melhor em 2026?

Depende da tua folga. Com a Euribor a 12 meses perto dos 2,9%, a fixa custa mais hoje mas protege de subidas. Se a prestação variável já está no limite do que aguentas, a mista ou a fixa dão segurança. Pede simulações das três.

O que acontece se não conseguir pagar?

O banco é obrigado a integrar-te num plano de ação para o risco de incumprimento e a propor soluções antes de executar a hipoteca. Fala com o banco assim que previres dificuldades, não depois de falhar prestações.

Posso usar o crédito habitação para comprar casa para arrendar?

Sim, mas o financiamento máximo é 80%, o IMT é mais alto, não há isenções para jovens e os spreads são superiores.

Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. As regras e os valores referem-se a 2026 e podem ser alterados. Confirma sempre as condições na FINE que o banco te entregar.

Autor
O Franklin é licenciado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimónios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre literacia financeira. É o nosso Warren Buffett português – embora mais jovem.