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05.03.2026

10 estatísticas sobre PPR que merecem atenção

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Os Planos Poupança Reforma (PPR) são um dos produtos financeiros mais conhecidos em Portugal. Mas por trás do nome familiar esconde-se um mercado complexo, com mais de mil produtos, rentabilidades muito dispares e dados que raramente chegam ao grande público. Reunimos dez estatísticas que pintam um retrato honesto deste mercado.

1. A maioria dos PPR tem ficado abaixo da inflação

2025 foi a exceção: "apenas" 22% dos PPR ficaram abaixo da inflação, num ano em que os mercados globais ajudaram. Mas quando se alarga o horizonte temporal, o retrato é devastador.

Segundo a análise anual do mercado feita pelo ECO, 98,6% dos PPR não bateram a inflação nos últimos 3 anos, e cerca de 80% também falharam nesse objetivo a 5 e 10 anos.

Ou seja, no horizonte típico de reforma, precisamente aquele para o qual os PPR são vendidos, 4 em cada 5 planos não conseguiram sequer preservar o poder de compra.

Horizonte % dos PPR que NÃO bateu a inflação
1 ano (2025) ~22%
3 anos ~98,6%
5 anos ~80%
10 anos ~80%

Fontes: ECO (Dez 2025); ECO (Maio 2025)

2. O benefício fiscal real dos PPR está muito abaixo dos 400€ anunciados

Apesar de a legislação permitir uma dedução até 400€ no IRS (conforme a tua idade e montante de investimento), os dados mostram que o benefício médio real foi apenas cerca de 161€ por ano entre 2014 e 2023.

Isto corresponde a uma taxa efetiva média de apenas 2,55% do montante investido. Mesmo no melhor ano da década (2023), a taxa efetiva foi 5,35%.

Além disso, apenas 7,2% das declarações de IRS incluíram deduções de PPR.

O benefício compete com outras deduções (saúde, educação, habitação), e os limites globais à coleta por escalão fazem com que, na prática, a maioria dos contribuintes nunca chegue ao "bónus máximo".

Fontes: ECO (Dez 2025); U-Tax - Relatório de Avaliação dos Benefícios Fiscais

3. Na última década, os Certificados de Aforro renderam ~4,2% líquidos ao ano - os PPR ficaram-se pelos ~1,6% brutos

É a comparação mais direta e mais dolorosa. Os Certificados de Aforro, um produto sem risco, sem comissões de subscrição, sem comissões de resgate e completamente transparente, bateram de forma consistente a rendibilidade média bruta dos PPR na última década. A diferença é ainda maior quando se desconta o efeito das comissões dos PPR.

Ano/Período PPR Certificados de Aforro Inflação
1990 a 2009 (média) 4,0% 4,2% 3,7%
2014 a 2024 (10 anos) 1,6% 4,2% 1,9%
2019 a 2024 (5 anos) 1,8% 2,9% 3,1%
2021 a 2024 (3 anos) 1,3% 2,9% 4,8%
2024* (até 16 de dezembro) 7,5% 1,8% 2,3%

Fontes: ECO (Dezembro 2024); Literacia Financeira - "PPR ou Certificados de Aforro: qual escolher?"

4. Existem mais de 1.000 PPR no mercado e a maioria não bate o próprio benchmark

Não é só não bater a inflação. O mercado português conta com cerca de 1.018 PPR disponíveis, mas 77% não conseguiram bater o benchmark a 5 anos e 83% falharam a 10 anos.

Em termos simples: a maioria dos gestores profissionais não conseguiu superar o mercado que está a tentar replicar.

Isto significa que um investidor que simplesmente replicasse o índice de referência, por exemplo, com um ETF de baixo custo, teria tido melhor desempenho do que 8 em cada 10 PPR.

Fontes: ECO (Dez 2025)

5. Os PPR "seguros" com capital garantido foram os que mais destruíram poder de compra

Os PPR de risco 1 e 2, comercializados como "seguros", tiveram perdas medianas de -0,2%/ano na última década. Descontando a inflação, isso traduz-se numa perda real de ~2,3% por ano. No último quinquénio, os PPR conservadores (risco 1-3) renderam uma mediana de 0,8%/ano contra uma inflação média de 3,7%/ano, uma perda real de quase 3% por ano.

Quem escolheu "segurança" acabou a ver a poupança encolher, todos os anos, durante uma década.

Período Rendimento PPR conservadores (mediana) Inflação média
Último quinquénio (2019-2024) 0,8% 3,7%
Última década (2014-2024) -0,2% 2,1%

Fontes: ECO (Dez 2025)

6. 9 em cada 10 subscritores de PPR tem mais de 40 anos

Os PPR são desenhados e vendidos como produto de longo prazo para a reforma. Mas quem mais os subscreve são pessoas mais velhas, que têm menos tempo de capitalização pela frente. A lógica financeira diz o contrário: quanto mais cedo se começa, maior o efeito dos juros compostos. Uma poupança mensal de 100€ com 6%/ano de rendibilidade acumula 97.926€ em 30 anos, mas apenas 6.982€ em 5 anos.

Fontes: Executive Digest (Agosto 2024); Livro "Como Salvar a Minha Reforma" (David Almas e Joaquim Madrinha)

7. Mais de 19 mil milhões de euros estão investidos em PPR em Portugal

O mercado de PPR continua a crescer. Em Portugal existem cerca de:

  • 19 a 20 mil milhões de euros investidos
  • mais de 2 milhões de subscritores

Apesar da fraca performance de muitos produtos, os portugueses continuam a aplicar cerca de 2,7 mil milhões de euros por ano em PPR.

Fontes: ECO (Maio 2025)

8. 86% dos PPR são seguros, mas entre os que aceitam novos clientes, os fundos dominam

Olhando para o universo total de 1 018 produtos, a oferta é dominada pelos seguros de vida (86%), com apenas 6% de fundos de pensões e 24% de fundos de investimento (a soma ultrapassa 100% porque alguns produtos têm dupla natureza jurídica). Este peso dos seguros reflete a predominância do modelo de bancassurance na distribuição destes produtos pelos bancos tradicionais.

Entre os 207 produtos em comercialização, porém, o perfil muda: os fundos de investimento representam 38% da oferta ativa, os seguros 32% e os fundos de pensões 30% - uma distribuição muito mais equilibrada do que a foto geral sugere.

9. Os PPR captaram 879 milhões de euros em subscrições só no primeiro semestre de 2025

No primeiro semestre de 2025, as subscrições de seguros PPR (Ligados e Não Ligados) totalizaram 879 milhões de euros. Deste total, 682 milhões corresponderam a PPR Não Ligados (tipicamente com capital garantido) e 198 milhões a PPR Ligados a fundos de investimento. Face ao mesmo período de 2024, os PPR Não Ligados registaram uma queda de 12,3%, enquanto os PPR Ligados quase duplicaram (+98%) - sinal de uma migração gradual para produtos de maior risco.

10. Os resgates de PPR caíram 26,7% no primeiro semestre de 2025

Após anos de saídas elevadas, os resgates de seguros PPR totalizaram 297 milhões de euros no primeiro semestre de 2025, uma redução de 26,7% face ao mesmo período de 2024. Este abrandamento está provavelmente ligado ao fim da medida excecional que permitia resgatar PPR sem penalização para pagar o crédito habitação - medida que tinha alimentado uma vaga de saídas em 2023 e 2024. No pico (H1 2023), os resgates de PPR atingiram 632 milhões de euros.

O que fazer com esta informação?

Os dados mostram um mercado com problemas estruturais: excesso de oferta, falta de transparência histórica e uma maioria de produtos que não cumpre o seu objetivo fundamental - preservar e fazer crescer o poder de compra no longo prazo.

Isso não significa que todos os PPR sejam maus. Significa que a escolha importa muito. Os PPR de maior risco, maioritariamente expostos a ações, têm historicamente um desempenho claramente superior. E os dois comparadores públicos lançados em 2025 - o da ASF em abril e o da CMVM em dezembro - facilitam pela primeira vez a comparação sistemática entre produtos com base em comissões, rentabilidade e risco.

Se tens um PPR e nunca verificaste o seu desempenho, este é o momento. Podes transferir para outro PPR sem perderes os benefícios fiscais acumulados e sem pagar comissões, no caso dos produtos sem capital garantido.

Fontes principais: ASF (REAS 2T2025; Relatório do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões 2023; Plataforma de Comparação de PPR, 2025), CMVM (comparador de fundos PPR, dezembro 2025), ECO.pt (especial "São mais de 1 000 os PPR no mercado", maio 2025), Casa de Investimentos, Autoridade Tributária / U-Tax

Autor
O Franklin é licenciado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimónios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre literacia financeira. É o nosso Warren Buffett português – embora mais jovem.