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28.08.2026

Melhores plataformas de P2P lending em Portugal para 2026

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O P2P lending (peer-to-peer lending, ou empréstimos entre pares) permite-te emprestar dinheiro diretamente a particulares e empresas através de uma plataforma online, em troca de juros. É uma forma de investimento que ganhou popularidade em Portugal na última década, sobretudo por prometer rentabilidades bem acima dos depósitos a prazo.

O problema é que, durante muitos anos, este mercado funcionou praticamente sem regulação. Várias plataformas desapareceram com o dinheiro dos investidores e outras congelaram levantamentos durante anos. Felizmente, isso mudou: hoje existem licenças europeias específicas para esta atividade e uma parte relevante das plataformas já é supervisionada por bancos centrais ou reguladores de mercado.

Neste artigo, analisamos aquelas que consideramos serem as melhores plataformas de P2P lending para investidores portugueses, com um critério de partida inegociável: todas têm de estar devidamente reguladas. Vemos os pontos positivos e negativos de cada uma, quanto custam e que proteção tens se algo correr mal.

As melhores plataformas de P2P lending

  1. Mintos*: A maior plataforma da Europa e a mais regulada. Ideal para quem quer diversificar por dezenas de originadores e ter um mercado secundário para sair mais cedo;
  2. Goparity: Plataforma portuguesa licenciada pela CMVM, focada em projetos com impacto ambiental e social. Ideal para quem quer investir em Portugal, com retenção de imposto na fonte;
  3. Raize: A plataforma portuguesa mais antiga, com empréstimos a PME nacionais e mercado secundário. Ideal para quem prefere crédito a empresas portuguesas e supervisão do Banco de Portugal;
  4. Viainvest: Plataforma letã licenciada, sem comissões para o investidor e com rentabilidades estáveis há quase dez anos. Ideal para quem quer simplicidade;
  5. Debitum: Plataforma letã licenciada e focada em crédito a empresas com garantias. Ideal para diversificar para fora do crédito ao consumo, com atenção à concentração dos originadores;
  6. Twino: Uma das plataformas mais antigas do mercado (2015), licenciada como empresa de investimento na Letónia e com passaporte para Portugal. Rentabilidades elevadas, mas com a atividade em contração.

Se procuras a opção mais robusta em termos de regulação e dimensão, a Mintos é, na nossa opinião, o ponto de partida natural. É a única desta lista com licença de empresa de investimento, licença de instituição de moeda eletrónica e, desde fevereiro de 2026, um processo em curso para obter uma licença bancária junto do Banco Central Europeu (BCE).

Se valorizas uma entidade portuguesa, com contratos em português e imposto retido na fonte, a Goparity e a Raize são as duas opções nacionais. Rendem menos do que as plataformas bálticas, mas o risco jurídico e fiscal é muito mais simples de gerir.

Finalmente, se já tens experiência em P2P e queres rentabilidades de dois dígitos, a Viainvest, a Debitum e a Twino são plataformas letãs licenciadas pelo banco central, mas com riscos de concentração que explicamos em detalhe mais abaixo.

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💡Antes de investir em P2P lending, convém teres a base montada. Lê também os nossos guias das melhores corretoras em Portugal e das melhores corretoras para ganhar juros, para conheceres outras opções de investimento.

O que é o P2P lending e porque é que a regulação importa

No P2P lending, a plataforma faz a ponte entre quem tem poupanças e quem precisa de crédito. Existem dois modelos principais:

  • Crowdlending direto: emprestas a uma empresa ou projeto específico, que te paga juros e devolve o capital ao longo do prazo. É o modelo da Goparity e da Raize. Se a empresa falir, podes perder parte ou a totalidade do capital;
  • Marketplace de originadores: compras frações de empréstimos já concedidos por empresas de crédito (os "originadores"), normalmente com uma obrigação de recompra ("buyback") se o empréstimo entrar em atraso. É o modelo da Mintos, Viainvest, Debitum e Twino. Aqui, o risco principal não é o mutuário: é o originador falir e a recompra deixar de valer alguma coisa.

Em qualquer dos modelos, o risco é real. Mas há uma diferença enorme entre uma plataforma que responde perante um regulador e uma que não responde perante ninguém. Na Europa, existem hoje dois enquadramentos principais:

  1. Licença de empresa de investimento ao abrigo da Diretiva MiFID II (Markets in Financial Instruments Directive): é o mesmo enquadramento das corretoras de bolsa. Os empréstimos são "empacotados" em instrumentos financeiros (notes ou obrigações com código ISIN), a plataforma tem de segregar o dinheiro dos clientes e os investidores ficam cobertos por um sistema de indemnização ao abrigo da Diretiva 97/9/CE. Na Letónia, é a licença que a Mintos, a Viainvest, a Debitum e a Twino detêm, supervisionada pelo Latvijas Banka (o banco central letão);
  2. Licença de prestador europeu de serviços de financiamento colaborativo (ECSP) ao abrigo do Regulamento (UE) 2020/1503: é a licença criada especificamente para o crowdfunding. Exige capital mínimo, ficha de informação fundamental por projeto, teste de conhecimentos ao investidor e segregação de fundos, mas não inclui um sistema de indemnização ao investidor. Em Portugal, quem atribui e supervisiona esta licença é a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários). É o caso da Goparity e da Raize.

Nenhuma destas licenças garante que os empréstimos são pagos. O que garantem é que a plataforma cumpre regras de conduta, tem os fundos dos clientes separados dos seus e é fiscalizada por alguém. Como veremos, plataformas populares como a PeerBerry, a Esketit, a Robocash ou a Swaper continuam, em 2026, sem qualquer destas licenças e, por isso, ficaram de fora desta lista.

Tabela de comparação

Plataforma Investimento mínimo Rentabilidade indicativa Tipo de crédito Comissões para o investidor Regulador
Mintos 50€ por note 10% a 14% (bruta anunciada) Consumo, PME, automóvel, imobiliário, obrigações 0,29%/ano na carteira Custom Loans; 0,85% nas vendas no mercado secundário; 4,90€/mês de inatividade sobre saldo não investido Latvijas Banka (Letónia)
Goparity 20€ por projeto 4% a 8% Projetos de impacto (energia, agricultura, economia social) Sem comissões de subscrição ou manutenção CMVM (Portugal)
Raize 20€ por empréstimo 5% a 8% (bruta) PME portuguesas e reabilitação imobiliária 10% a 12% sobre os juros brutos recebidos CMVM e Banco de Portugal (Portugal)
Viainvest 10€ por título 10% a 13% Consumo (grupo VIA SMS) Sem comissões; retenção de 5% de imposto na Letónia sobre os juros Latvijas Banka (Letónia)
Debitum 10€ por título 9% a 15% Empresas (com garantias) Sem comissões Latvijas Banka (Letónia)
Twino 1€ por título 6% a 12% Consumo (Polónia) Sem comissões de investimento; taxa de inatividade sobre saldo não investido Latvijas Banka (Letónia)

À data de 27 de agosto de 2026. As rentabilidades são indicativas, brutas de impostos e não têm em conta incumprimentos. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros.

Um detalhe importante: nas plataformas letãs, as rentabilidades anunciadas são as taxas de juro dos títulos. A rentabilidade líquida que efetivamente recebes depende dos incumprimentos dos originadores. Na Mintos, por exemplo, investidores de longa data reportam médias líquidas na casa dos 9% ao ano, e não os 12% a 14% dos títulos, precisamente por causa de originadores que falharam em 2020 e 2022.

Descrições de cada plataforma

Mintos

Página principal da Mintos
Página principal da Mintos
  • Investimento mínimo: 50€ por note (as notes são o instrumento financeiro que agrupa os empréstimos)
  • Rentabilidade indicativa: 10% a 14% (bruta anunciada)
  • Comissões: 0,29% ao ano sobre a carteira Custom Loans (desde maio de 2025); 0,85% ao vender no mercado secundário; 2% em depósitos por cartão (transferência SEPA é gratuita); 4,90€ por mês de inatividade, apenas sobre saldo disponível não investido
  • Regulador: Latvijas Banka, licença de empresa de investimento n.º 06.06.08.719/534 e licença de instituição de moeda eletrónica n.º 06.12.04.723/535
  • Mercado secundário: Sim
  • Proteção ao investidor: Sistema letão de indemnização aos investidores (90% das perdas, até 20.000€) se a Mintos não conseguir devolver os instrumentos financeiros que detém em teu nome (notes, obrigações, ETFs) ou o teu dinheiro. Não cobre perdas de valor, incumprimentos nem a falência de originadores

Fundada em 2015 em Riga, a Mintos é a maior plataforma de investimento em empréstimos da Europa: conta com cerca de 700.000 investidores registados e mais de 800 milhões de euros em ativos sob gestão. Em agosto de 2021, obteve uma licença de empresa de investimento ao abrigo da MiFID II, o que a obrigou a transformar os antigos "direitos de crédito" em notes, ou seja, instrumentos financeiros com código ISIN, sujeitos ao Regulamento dos Prospetos e à regulação PRIIPs (Packaged Retail and Insurance-based Investment Products), com um documento de informação fundamental por cada emissão.

O modelo é o de marketplace: dezenas de empresas de crédito de vários países colocam os seus empréstimos na plataforma e tu compras frações desses empréstimos. A grande maioria tem obrigação de recompra pelo originador se o mutuário estiver mais de 60 dias em atraso. Podes investir de forma manual, com estratégias automáticas personalizadas ("Custom Loans") ou com a carteira gerida "Core Loans".

Nos últimos anos, a Mintos deixou de ser apenas uma plataforma de P2P: passou a oferecer obrigações fracionadas, carteiras de ETFs, investimento em imobiliário para arrendamento e o "Smart Cash", um fundo do mercado monetário gerido pela BlackRock para o dinheiro parado (rende cerca de 2.25% ao ano). Em fevereiro de 2026, anunciou que iniciou o processo para obter uma licença bancária junto do BCE.

Quanto à regulação, é a plataforma mais completa desta lista. Além da licença MiFID II, tem uma licença de instituição de moeda eletrónica para o dinheiro dos clientes, é obrigada a segregar fundos e instrumentos dos seus próprios ativos e participa no sistema letão de indemnização aos investidores. Convém, no entanto, ser claro sobre o que este sistema cobre: protege-te se a Mintos falir ou desviar fundos. Não te protege se um originador falir e deixar de honrar a recompra, que é, na prática, o risco mais frequente neste negócio. A Mintos tem ainda mais de 100 milhões de euros em processos de recuperação de originadores antigos, sobretudo russos e ucranianos.

Do lado dos custos, a plataforma foi gratuita para investidores durante anos, mas isso mudou: desde maio de 2025 cobra 0,29% ao ano sobre a carteira Custom Loans e desde janeiro de 2026 cobra 0,39% ao ano sobre a carteira de obrigações de alto rendimento. Continuam a ser valores baixos face ao setor, mas devem entrar nas contas.

Nota fiscal: a Mintos não retém qualquer imposto. Tens de declarar os juros em Portugal.

Queres saber mais? Lê a nossa análise completa à Mintos em Portugal.

Vantagens

  • A plataforma mais regulada do setor (licença MiFID II e licença de moeda eletrónica)
  • Maior dimensão e mais originadores da Europa, o que facilita a diversificação
  • Mercado secundário com liquidez real
  • Sistema de indemnização ao investidor até 20.000€
  • Gama de produtos alargada (notes, obrigações, ETFs, imobiliário, fundo monetário)
  • Estratégias automáticas e carteira gerida para quem não quer escolher empréstimos

Desvantagens

  • Passou a cobrar comissões (0,29% ao ano na carteira Custom Loans e 0,85% nas vendas no mercado secundário)
  • Taxa de inatividade de 4,90€ por mês sobre saldo não investido
  • Historial de originadores em incumprimento, com mais de 100 milhões de euros ainda em recuperação
  • Rentabilidade líquida real bastante abaixo das taxas anunciadas
  • Não retém imposto: tens de declarar tudo manualmente

Goparity

Página principal da Goparity
Página principal da Goparity
  • Investimento mínimo: 20€ por projeto
  • Rentabilidade indicativa: 4% a 8% ao ano, consoante o projeto
  • Comissões: Sem comissões de subscrição ou manutenção para o investidor
  • Regulador: CMVM, licença de prestador de serviços de financiamento colaborativo ao abrigo do Regulamento (UE) 2020/1503
  • Mercado secundário: Não
  • Proteção ao investidor: Segregação de fundos (os pagamentos são geridos pela MangoPay, instituição de moeda eletrónica luxemburguesa registada no Banco de Portugal); sem sistema de indemnização

Fundada em 2017 em Lisboa, a Goparity é uma plataforma portuguesa de financiamento colaborativo por empréstimo dedicada a projetos com impacto ambiental e social: painéis solares em escolas e empresas, agricultura regenerativa, eficiência energética, economia social e cooperativas. Cada projeto está alinhado com pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e a plataforma reporta métricas de impacto (toneladas de CO2 evitadas, empregos criados) a par da rentabilidade.

A empresa gestora, a Power Parity, S.A., obteve em janeiro de 2024 a licença europeia ECSP atribuída pela CMVM, que lhe permite operar em toda a União Europeia com um passaporte único. Antes disso, já estava registada na CMVM ao abrigo do regime nacional. Com a licença, ficou obrigada a apresentar uma ficha de informação fundamental por cada projeto, a aplicar um teste de conhecimentos aos investidores e a simular a capacidade de suportar perdas.

O modelo é o de crowdlending direto: emprestas à entidade promotora do projeto, que te paga prestações mensais ou trimestrais de capital e juros ao longo de prazos que vão normalmente de 2 a 8 anos. Não existe obrigação de recompra nem mercado secundário: se precisares do dinheiro antes do fim do prazo, não tens forma de sair. Por outro lado, muitos projetos têm garantias reais ou avales dos promotores e a taxa de incumprimento histórica da plataforma tem sido baixa.

Para um investidor português, há duas vantagens práticas: os contratos e o apoio ao cliente são em português e o imposto sobre os juros (28%) é retido na fonte, pelo que não tens de o declarar como rendimento estrangeiro.

Queres saber mais? Lê a nossa análise completa à Goparity.

Vantagens

  • Plataforma portuguesa licenciada pela CMVM ao abrigo do regulamento europeu
  • Investimento em projetos com impacto mensurável
  • Investimento mínimo baixo (20€)
  • Retenção de imposto na fonte e documentação em português
  • Muitos projetos com garantias reais ou avales
  • Sem comissões para o investidor

Desvantagens

  • Rentabilidades mais baixas do que nas plataformas bálticas
  • Sem mercado secundário: o capital fica preso até ao fim do prazo
  • Sem sistema de indemnização ao investidor (a licença ECSP não o prevê)
  • Oferta de projetos limitada em alguns períodos, o que pode deixar dinheiro parado

Raize

Página principal da Raize
Página principal da Raize
  • Investimento mínimo: 20€ por empréstimo
  • Rentabilidade indicativa: 5% a 8% ao ano (bruta)
  • Comissões: 10% a 12% sobre os juros brutos recebidos; sem comissões de abertura ou manutenção de conta
  • Regulador: CMVM (plataforma de financiamento colaborativo, Raizecrowd, ao abrigo da Lei n.º 102/2015) e Banco de Portugal (Raize Instituição de Pagamentos, S.A.)
  • Mercado secundário: Sim
  • Proteção ao investidor: Segregação de fundos numa instituição de pagamento supervisionada pelo Banco de Portugal; sem sistema de indemnização

Fundada em 2014, a Raize foi a primeira plataforma de financiamento colaborativo por empréstimo registada na CMVM e é hoje uma das maiores plataformas de investimento em Portugal, com mais de 60.000 investidores e mais de 60 milhões de euros financiados a PME nacionais. Tem uma particularidade rara no setor: está cotada na Euronext Lisbon, o que significa que publica contas auditadas e informação regular ao mercado.

A estrutura regulatória é dupla. A atividade de crowdfunding é feita pela Raizecrowd, autorizada e supervisionada pela CMVM, enquanto o dinheiro dos investidores circula pela Raize Instituição de Pagamentos, S.A., autorizada e supervisionada pelo Banco de Portugal. Em 2026, a Flexdeal, o seu maior acionista, pediu autorização ao Banco de Portugal para ficar com a totalidade do capital, uma operação ainda pendente à data deste artigo.

O que financias são empréstimos a micro, pequenas e médias empresas portuguesas, para tesouraria, investimento ou adiantamento de faturas, e cada vez mais projetos de reabilitação urbana em modalidade de dívida. Podes escolher os empréstimos um a um no mercado primário ou usar o "Tracker", que distribui automaticamente o teu dinheiro pela média da plataforma. Existe também um mercado secundário, historicamente com boa liquidez, onde podes vender as tuas posições a outros investidores.

O ponto menos positivo é o preçário. A Raize começou por cobrar apenas às empresas financiadas, mas passou a cobrar aos investidores uma comissão de 10% a 12% sobre os juros brutos, uma alteração que foi aplicada também a investimentos já em curso e que gerou críticas entre os investidores. Somando a comissão e os 28% de IRS retidos na fonte, um empréstimo a 6% bruto rende perto de 3,7% líquidos.

Vantagens

  • Supervisão dupla (CMVM e Banco de Portugal) e empresa cotada em bolsa
  • Crédito a empresas portuguesas, com contratos e apoio em português
  • Mercado secundário para sair antes do prazo
  • Investimento automático através do Tracker
  • Investimento mínimo de 20€
  • Retenção de imposto na fonte

Desvantagens

  • Comissão de 10% a 12% sobre os juros, que reduz bastante a rentabilidade líquida
  • Rentabilidades brutas modestas para o risco de crédito a PME
  • Risco de concentração num único país e num único tipo de mutuário
  • Alteração de acionista em curso, cujo impacto na estratégia ainda não é claro

Viainvest

Página principal da Viainvest
Página principal da Viainvest
  • Investimento mínimo: 10€ por título
  • Rentabilidade indicativa: 10% a 13% ao ano
  • Comissões: Sem comissões de depósito, investimento ou levantamento
  • Regulador: Latvijas Banka, licença de empresa de investimento desde setembro de 2021
  • Mercado secundário: Não
  • Proteção ao investidor: Sistema letão de indemnização aos investidores (90% das perdas, até 20.000€) se a Viainvest não conseguir devolver os títulos ou o dinheiro que detém em teu nome. Não cobre incumprimentos nem a falência do originador

Lançada em dezembro de 2016, a Viainvest é a plataforma de investimento do grupo VIA SMS, uma empresa letã de crédito ao consumo que opera em vários países europeus. Desde setembro de 2021, a SIA Viainvest tem uma licença de empresa de investimento do Latvijas Banka e, tal como a Mintos e a Twino, vende títulos garantidos por empréstimos ("asset-backed securities") em vez de direitos de crédito.

A proposta é a simplicidade: escolhes uma estratégia automática, defines a taxa mínima e o prazo e a plataforma distribui o dinheiro por empréstimos ao consumo de curto e médio prazo concedidos pelas empresas do grupo, todos com obrigação de recompra. Não há comissões para o investidor e as rentabilidades têm-se mantido estáveis na casa dos 10% a 13% há quase uma década, um dos historiais mais consistentes do setor.

Há dois pontos a ter em conta. Primeiro, tal como na Twino, o originador e a plataforma pertencem ao mesmo grupo, pelo que estás concentrado num único risco de crédito, ainda que diversificado por vários países. Segundo, não existe mercado secundário: tens de manter cada título até à maturidade (o prazo mais curto é de cerca de 6 meses).

Um detalhe fiscal relevante para investidores portugueses: por ser uma empresa de investimento licenciada, a Viainvest é obrigada a reter imposto na Letónia sobre os juros. Para residentes fiscais na União Europeia, a taxa é de 5%, aplicada automaticamente, sem necessidade de enviar certificado de residência. Este imposto pode, em princípio, ser creditado na tua declaração de IRS em Portugal ao abrigo da convenção para evitar a dupla tributação, mas tens de o declarar.

Vantagens

  • Licença de empresa de investimento (MiFID II) e indemnização até 20.000€
  • Rentabilidades estáveis há quase dez anos
  • Sem comissões para o investidor
  • Estratégias automáticas simples de configurar
  • Retenção de imposto reduzida (5%) para residentes na UE

Desvantagens

  • Concentração num único grupo de crédito ao consumo
  • Sem mercado secundário
  • Menor transparência estatística do que a Mintos
  • Imposto retido na Letónia que tens de gerir na declaração de IRS

Debitum

Página principal da Debitum
Página principal da Debitum
  • Investimento mínimo: 10€ por título
  • Rentabilidade indicativa: 9% a 15% ao ano
  • Comissões: Sem comissões de depósito, investimento ou levantamento
  • Regulador: Latvijas Banka, licença de empresa de investimento n.º 06.06.08.728/537
  • Mercado secundário: Não
  • Proteção ao investidor: Sistema letão de indemnização aos investidores (90% das perdas, até 20.000€) se a Debitum não conseguir devolver os títulos ou o dinheiro que detém em teu nome. Não cobre incumprimentos nem a falência dos originadores

Fundada em 2018 em Riga, a Debitum (antiga Debitum Network) distingue-se das restantes plataformas bálticas por um motivo: só financia empresas. Em vez de crédito ao consumo, investes em títulos garantidos por carteiras de empréstimos a pequenas e médias empresas do Báltico e de outros países europeus, normalmente com garantias reais. É, por isso, uma boa forma de diversificar para fora do crédito ao consumo, que domina as outras plataformas desta lista.

A plataforma tem uma licença de empresa de investimento do Latvijas Banka, obriga os originadores a uma recompra em 90 dias e aplica uma penalização de 15% aos originadores em atraso. Depois de anos a operar com prejuízo, apresentou o primeiro lucro anual em 2024. Em dezembro de 2023, lançou a funcionalidade de investimento automático, que lhe faltava há muito.

Há, no entanto, um ponto que deves conhecer antes de investir. Desde março de 2026, a composição da carteira da Debitum foi publicamente posta em causa: análises independentes alegam que a maior parte dos originadores da plataforma, sobretudo os ligados ao setor florestal letão, estão relacionados entre si e representam a grande maioria do valor em dívida. A plataforma respondeu, mas a questão da concentração não está resolvida. Até à data, nenhum originador falhou uma recompra, mas a diversificação real é menor do que a lista de originadores sugere.

Vantagens

  • Licença de empresa de investimento (MiFID II) e indemnização até 20.000€
  • Único foco em crédito a empresas com garantias, útil para diversificar
  • Rentabilidades entre as mais altas do setor regulado
  • Sem comissões para o investidor
  • Recompra em 90 dias e penalização por atraso aos originadores
  • Empresa lucrativa desde 2024

Desvantagens

  • Alegações de concentração dos originadores num mesmo grupo (desde março de 2026)
  • Plataforma pequena (cerca de 60 milhões de euros em carteira)
  • Sem mercado secundário
  • Oferta de empréstimos por vezes insuficiente para investir todo o saldo

Twino

Página principal da Twino
Página principal da Twino
  • Investimento mínimo: 1€ por título
  • Rentabilidade indicativa: 6% a 12% ao ano
  • Comissões: Sem comissões de depósito, investimento ou levantamento; taxa de inatividade sobre saldo não investido
  • Regulador: Latvijas Banka, licença de empresa de investimento desde 31 de agosto de 2021, com passaporte para Portugal desde julho de 2023
  • Mercado secundário: Não
  • Proteção ao investidor: Sistema letão de indemnização aos investidores (90% das perdas, até 20.000€) se a Twino não conseguir devolver as obrigações ou o dinheiro que detém em teu nome. Não cobre incumprimentos nem a falência do grupo originador

A Twino opera desde 2015 e é, depois da Mintos, a plataforma com mais historial desta lista, com mais de 1.100 milhões de euros financiados. A empresa gestora, a AS TWINO Investments, tem uma licença de empresa de investimento do Latvijas Banka e consta do registo público do banco central letão com autorização expressa para prestar serviços em Portugal. Em 2026, obteve ainda uma licença para serviços de criptoativos ao abrigo do regulamento MiCA (Markets in Crypto-Assets).

O modelo é diferente do da Mintos: em vez de um marketplace com dezenas de originadores independentes, a Twino é uma plataforma "fechada". O grupo Twino, detido por um único acionista, é ao mesmo tempo o operador da plataforma, o originador dos empréstimos e o garante da recompra. Tu compras obrigações emitidas pela plataforma, com juro mensal, garantidas por empréstimos ao consumo concedidos pelas subsidiárias do grupo.

Esta estrutura tem uma vantagem (simplicidade e rentabilidades elevadas, atualmente entre 6% e 12%) e uma desvantagem evidente: concentração. Se o grupo tiver problemas, o originador, a plataforma e a garantia de recompra têm problemas ao mesmo tempo. Foi isso que aconteceu em 2022 com o crédito russo, que ficou congelado após as sanções e só em 2026 teve uma proposta de resolução para os investidores afetados.

Nos últimos anos, a Twino encolheu: abandonou vários mercados, concentrou a atividade nos empréstimos ao consumo na Polónia e os ativos em gestão desceram para cerca de 35 milhões de euros. Continua a cumprir os rácios prudenciais exigidos pelo regulador, mas é uma plataforma em contração, e não em crescimento. É por isso que a colocamos no fim desta lista, apesar da boa regulação.

Vantagens

  • Licença de empresa de investimento (MiFID II) e passaporte para Portugal
  • Sistema de indemnização ao investidor até 20.000€
  • Historial longo (desde 2015)
  • Rentabilidades elevadas e pagamento mensal de juros
  • Sem comissões de investimento e investimento mínimo de 1€
  • Plataforma disponível em várias línguas (não em português)

Desvantagens

  • Concentração total num único grupo, que é operador, originador e garante
  • Atividade em contração, concentrada na Polónia
  • Crédito russo congelado desde 2022
  • Sem mercado secundário
  • Taxa de inatividade sobre saldo não investido
  • Avaliações fracas de utilizadores nos últimos anos

Critérios usados na escolha das plataformas

A seleção acima foi feita com base em critérios que, a nosso ver, correspondem às necessidades da maioria dos investidores que leem este artigo.

1. Regulação: Foi o critério de entrada. Só considerámos plataformas com uma licença de empresa de investimento ao abrigo da MiFID II ou uma licença ECSP ao abrigo do Regulamento (UE) 2020/1503, verificável nos registos públicos do respetivo regulador. Ficaram de fora plataformas com muitos utilizadores em Portugal, como a PeerBerry, a Esketit, a Robocash, a Swaper ou a Income Marketplace, que em 2026 continuam a operar sem qualquer destas licenças. O mesmo se aplica a plataformas mais pequenas que já analisámos no site, como a Scramble e a Maclear, que operam fora destes dois regimes de licenciamento europeus.

2. Historial e dimensão: Demos preferência a plataformas com vários anos de atividade, que já passaram pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, e que publicam contas. Também excluímos plataformas licenciadas mas com taxas de incumprimento fora de controlo, como a EstateGuru, cuja carteira tinha mais de 60% de empréstimos em incumprimento no final de 2025.

3. Custos: Avaliámos comissões de investimento, de mercado secundário, de levantamento e de inatividade, bem como comissões sobre os juros, que têm um impacto direto na rentabilidade líquida.

4. Diversificação e liquidez: Valorizámos plataformas com vários originadores independentes e com mercado secundário. Penalizámos, na descrição, as plataformas em que operador, originador e garante são a mesma entidade.

5. Adequação ao investidor português: Tivemos em conta a existência de contratos em português, a retenção de imposto na fonte e a complexidade fiscal de cada plataforma.

6. Funcionalidades específicas: Cada plataforma foi avaliada com base em funcionalidades que podem beneficiar tipos específicos de investidores:

  • Mintos: Diversificação máxima, mercado secundário e gama de produtos além do P2P.
  • Goparity: Investimento de impacto em Portugal com imposto retido na fonte.
  • Raize: Crédito a PME portuguesas com mercado secundário e supervisão do Banco de Portugal.
  • Viainvest: Simplicidade e rentabilidades estáveis, sem comissões.
  • Debitum: Diversificação para crédito a empresas com garantias.
  • Twino: Rentabilidades elevadas com licença MiFID II e passaporte para Portugal.

Proteção ao investidor em cada plataforma

Ao contrário das corretoras de bolsa, em que todas as entidades têm um sistema de indemnização, no P2P lending a proteção depende do tipo de licença. Nas plataformas letãs, o sistema de indemnização gerido pelo Latvijas Banka aplica-se aos instrumentos financeiros (notes, obrigações, títulos garantidos por empréstimos, ETFs) e ao dinheiro que a plataforma detém em teu nome. Na tabela abaixo, destacamos o regulador, a licença e a cobertura que se aplica a investidores portugueses:

PlataformaReguladorTipo de licençaProteção ao investidor
MintosLatvijas Banka (Letónia)Empresa de investimento (MiFID II) e instituição de moeda eletrónicaAté 90% de um máximo de 20.000€ se a plataforma não devolver os instrumentos ou o dinheiro (não cobre incumprimentos)
GoparityCMVM (Portugal)Prestador de serviços de financiamento colaborativo (ECSP)Segregação de fundos; sem sistema de indemnização
RaizeCMVM e Banco de Portugal (Portugal)Plataforma de financiamento colaborativo e instituição de pagamentoSegregação de fundos; sem sistema de indemnização
ViainvestLatvijas Banka (Letónia)Empresa de investimento (MiFID II)Até 90% de um máximo de 20.000€ se a plataforma não devolver os instrumentos ou o dinheiro (não cobre incumprimentos)
DebitumLatvijas Banka (Letónia)Empresa de investimento (MiFID II)Até 90% de um máximo de 20.000€ se a plataforma não devolver os instrumentos ou o dinheiro (não cobre incumprimentos)
TwinoLatvijas Banka (Letónia)Empresa de investimento (MiFID II)Até 90% de um máximo de 20.000€ se a plataforma não devolver os instrumentos ou o dinheiro (não cobre incumprimentos)

Em nenhum dos casos a proteção cobre o incumprimento dos empréstimos, a falência de um originador ou a perda de valor dos títulos. Cobre apenas o cenário em que a própria plataforma não consegue devolver os teus instrumentos ou o teu dinheiro, por insolvência, fraude ou erro administrativo. É importante verificar regularmente as condições de cada plataforma, pois estas podem sofrer alterações ao longo do tempo.

Como verificar se uma plataforma de P2P lending é regulada?

Não confies no que está escrito no site da plataforma. Confirma sempre nos registos públicos dos reguladores:

  • Plataformas letãs (Mintos, Viainvest, Debitum, Twino): procura o nome da empresa gestora no registo de participantes do mercado financeiro do Latvijas Banka. A ficha de cada empresa lista os serviços autorizados e os países onde tem passaporte;
  • Plataformas portuguesas (Goparity, Raize): consulta a lista de prestadores de serviços de financiamento colaborativo autorizados no site da CMVM. No caso da Raize, a instituição de pagamento consta também da lista de entidades autorizadas do Banco de Portugal;
  • Qualquer plataforma europeia com licença ECSP: a ESMA (Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados) mantém um registo central de todos os prestadores autorizados na União Europeia, nos termos do artigo 14.º do Regulamento (UE) 2020/1503.

Se uma plataforma não aparece em nenhum destes registos, não está regulada, independentemente do que diga no site.

Impostos sobre o P2P lending em Portugal

Os juros recebidos em plataformas de P2P lending são rendimentos de capitais (categoria E) e são tributados à taxa de 28%, com a opção de englobamento.

Nas plataformas portuguesas (Goparity e Raize), o imposto é retido na fonte a 28%, à semelhança de um depósito a prazo. Nas plataformas estrangeiras, não há retenção em Portugal: tens de declarar os juros no anexo J do IRS, como rendimentos obtidos no estrangeiro. No caso da Viainvest, os 5% retidos na Letónia podem ser considerados para efeitos de crédito por dupla tributação internacional.

Este é um ponto em que vale a pena confirmar com um contabilista, sobretudo se tiveres várias plataformas e montantes relevantes.

Qual plataforma de P2P lending escolher?

Não existe uma plataforma "perfeita" e, mais do que em qualquer outro tipo de investimento, aqui a regra é diversificar. Uma carteira de P2P lending não deve depender de uma única plataforma nem, dentro de cada plataforma, de um único originador.

Se procuras a solução mais completa e regulada, a Mintos é, na nossa opinião, a escolha natural para começar. Se preferes investir em Portugal, com contratos em português e imposto retido na fonte, a Goparity e a Raize são as duas opções nacionais. Se já tens experiência e queres rentabilidades de dois dígitos numa plataforma licenciada, a Viainvest é a mais simples, a Debitum diversifica para crédito a empresas e a Twino tem o historial mais longo, mas exige atenção à sua contração.

Lembra-te que o P2P lending é um investimento de risco elevado, ilíquido em muitos casos e que deve representar apenas uma pequena parte da tua carteira. Não substitui um fundo de emergência nem um plano de investimento de longo prazo em ETFs diversificados.

Nota sobre a Bondora

A Bondora, plataforma estónia fundada em 2008, é provavelmente a plataforma de P2P lending mais conhecida em Portugal, sobretudo pelo produto "Go & Grow", que promete uma rentabilidade fixa (atualmente até 6% ao ano) com liquidez diária. Não a incluímos nesta lista por uma razão simples: a Bondora tem uma licença de instituição de crédito atribuída pela Finantsinspektsioon (a autoridade de supervisão financeira da Estónia), mas essa licença cobre a atividade de concessão de crédito, e não a de investimento.

O Go & Grow não é um instrumento financeiro regulado ao abrigo da MiFID II nem um serviço de financiamento colaborativo ao abrigo do Regulamento (UE) 2020/1503, pelo que não beneficias de sistema de indemnização nem das regras de proteção ao investidor que se aplicam às plataformas desta lista.

A empresa anunciou a intenção de obter uma licença bancária, o que mudaria este enquadramento. Até lá, é uma plataforma com historial e dimensão, mas que não cumpre o critério de regulação que definimos para este artigo.

Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Investe com responsabilidade. O investimento em plataformas de P2P lending envolve risco, incluindo a possibilidade de perda total do capital investido.

Autor
O Franklin é licenciado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimónios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre literacia financeira. É o nosso Warren Buffett português – embora mais jovem.