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10.09.2026

Melhores intermediários de crédito em Portugal em 2026: quem lidera o mercado e como escolher

Mais de metade dos créditos habitação em Portugal já passa por um intermediário de crédito. Em 2025, 56,3% dos novos contratos de crédito à habitação e 51,3% dos créditos aos consumidores foram feitos com a intervenção destes profissionais, segundo o Relatório de Supervisão Comportamental 2025 do Banco de Portugal. No final desse ano havia 6.216 intermediários registados, mais 5,5% do que em 2024.

Com tantas opções, a pergunta "qual é o melhor intermediário de crédito?" não tem uma resposta única. O melhor para quem compra a primeira casa com a garantia pública não é o melhor para quem quer consolidar três créditos pessoais. O que existe é um conjunto de critérios objetivos para separar um bom intermediário de um mau. É isso que este artigo te dá.

Vais ficar a saber quem são os maiores intermediários do país (com os números de 2025), como confirmar se um intermediário está autorizado, quem lhe paga, quando compensa recorrer a um e quando é melhor ires diretamente ao banco.

Os maiores intermediários de crédito em Portugal em 2026

Os números abaixo são os mais recentes que cada empresa divulgou (resultados de 2025, publicados no início de 2026). Servem para perceberes a dimensão de cada rede, não para escolheres por ordem de tamanho. Uma rede grande tem mais bancos parceiros e mais experiência, mas o atendimento depende da loja ou do gestor que te calhar.

IntermediárioCrédito intermediado em 2025Registo BdP
Maxfinance¹2.800 milhões de euros (valor mínimo, só crédito habitação)177
DS Intermediários de Crédito²1.735 milhões de euros (só crédito habitação)926
Simplefy³1.300 milhões de euros (só crédito habitação)7443
Rede Doutor Finanças1.000 milhões de euros (todos os créditos)420
Xfin600 milhões de euros (valor mínimo, todos os créditos)6875

¹ Maxfinance, resultados de 2025 (fevereiro de 2026). ² DS Intermediários de Crédito, resultados de 2025 (março de 2026). ³ Simplefy, resultados de 2025 (fevereiro de 2026). ⁴ Rede Doutor Finanças, resultados de 2025 (fevereiro de 2026). ⁵ Xfin, resultados de 2025 (março de 2026).

A Maxfinance foi o maior intermediário de crédito em Portugal em 2025, com mais de 2.800 milhões de euros em crédito habitação intermediado, mais de 17.000 processos e uma quota que a própria empresa estima em cerca de 21% do mercado da intermediação. Seguem-se a DS Intermediários de Crédito (190 lojas do Grupo DS), a Simplefy (comunidade de 301 intermediários com marca própria), a Rede Doutor Finanças (100 lojas mais a plataforma online) e a Xfin (26 unidades e 10 bancos parceiros).

O montante médio por contrato andou entre os 165.000€ (Maxfinance) e os 200.000€ (Xfin), o que dá uma ideia do tipo de cliente que estas redes atendem. Na DS, 68,5% dos clientes escolheram taxa mista em 2025 e só 14,5% ficaram na variável, em linha com o que se passa no mercado.

Além destas cinco redes, há intermediários mais pequenos ou especializados que aparecem com frequência nas pesquisas dos portugueses. Não divulgam volumes de produção, por isso ficam fora da tabela principal:

IntermediárioRegisto BdP⁶Foco
ComparaJá375Comparador online, habitação e consumo
Reorganiza304Habitação e consolidação de créditos
AMCO759Habitação e consumo
Finativ6318Habitação e consumo
O Senhor do Banco257Só crédito habitação
Credível2663Só crédito habitação

⁶ Números de registo consultados na lista de intermediários de crédito do Banco de Portugal em setembro de 2026.

Confirma sempre o número de registo nessa lista antes de entregares documentos a qualquer um deles. Os registos podem ser alterados ou cancelados. Mais abaixo explicamos como fazer essa verificação em dois minutos.

O que faz um intermediário de crédito

Um intermediário de crédito é uma pessoa ou empresa autorizada pelo Banco de Portugal a apresentar propostas de crédito, a tratar do processo com os bancos e, em alguns casos, a assinar o contrato em nome do banco. Não empresta dinheiro. Quem concede o crédito é sempre um banco ou uma instituição financeira.

A atividade está regulada pelo regime jurídico dos intermediários de crédito (Decreto-Lei n.º 81-C/2017), que define três categorias:

  • Intermediário vinculado: Tem contrato com um ou mais bancos e trabalha em nome deles. É a categoria de quase todos os intermediários que conheces (redes de lojas, comparadores, franchisings). Só pode apresentar propostas dos bancos com quem tem contrato.
  • Intermediário a título acessório: Faz intermediação como atividade secundária. É o caso de imobiliárias e stands de automóveis que te propõem o crédito junto com a casa ou o carro.
  • Intermediário não vinculado: Não tem contrato com nenhum banco. Assina um contrato contigo, és tu que lhe pagas e só ele pode usar a palavra "independente". São raros em Portugal.

Esta distinção importa porque muda quem paga o serviço e quantos bancos o intermediário consegue consultar.

Quem paga o intermediário

Se recorreres a um intermediário vinculado ou a título acessório, o serviço é gratuito para ti. Quem paga é o banco que aprova o crédito, através de uma comissão. A lei proíbe estes intermediários de te pedirem qualquer valor, seja a título de comissão, despesas ou "abertura de processo". Também não podem receber ou entregar dinheiro relacionado com o crédito: as prestações pagam-se ao banco, nunca ao intermediário.

Em julho de 2026, o Banco de Portugal voltou a alertar publicamente para esta regra, depois de receber pedidos de esclarecimento de consumidores a quem tinham sido pedidos pagamentos. A única exceção são os intermediários não vinculados, que podem cobrar-te pelo serviço, desde que o preço esteja escrito no contrato de intermediação antes de começarem a trabalhar.

Há um detalhe que poucos conhecem: tens direito a saber quanto o banco paga ao intermediário. No crédito habitação, o intermediário tem de te entregar um documento com essa informação antes de começar a prestar o serviço. Se ainda não souber o valor exato, tem de te dizer que ele vai constar da FINE (ficha de informação normalizada europeia, o documento com todas as condições da proposta). Vale a pena pedir e ler.

Como escolher o melhor intermediário para o teu caso

1. Registo no Banco de Portugal: É o primeiro filtro e elimina a maioria dos problemas. Se a empresa não aparece na lista, não é intermediário de crédito e não deves avançar. O número de registo tem de estar visível no site, nas lojas e em toda a publicidade.

2. Bancos com quem trabalha: Um intermediário vinculado só te apresenta propostas dos bancos com quem tem contrato. A ficha de registo no Banco de Portugal lista esses bancos e a lei obriga o intermediário a entregar-te esse documento antes de começar. Todos têm de revelar esta lista no ponto 7 dessa ficha, como no exemplo abaixo, e a maioria publica-a no próprio site. Os grandes intermediários trabalham com 8 a 12 instituições.

Ficha de informação aos consumidores de um intermediário de crédito, com a lista de mutuantes com quem tem contrato de vinculação
Exemplo de ficha de informação aos consumidores, com os bancos parceiros no ponto 7. Fonte: Doutor Finanças

3. Nenhum trabalha com todos os bancos: Nas fichas de registo que consultámos em setembro de 2026, os parceiros que se repetem são a CGD, o Santander, o BPI, o Novo Banco, o Bankinter, o Abanca, o Banco CTT, o Crédito Agrícola e a UCI. O Millennium bcp só começou a aparecer nas listas de alguns intermediários em 2026 e o Banco Montepio não aparece em nenhuma das que vimos (o Montepio Crédito, que só faz crédito ao consumo, aparece em algumas). Cada intermediário tem a sua lista de parceiros. As propostas dos outros bancos nunca te chegam. Se o intermediário não tem o teu banco atual na lista, por exemplo, não vai conseguir usar a proposta dele como argumento.

4. Especialização no teu tipo de crédito: Há intermediários que só fazem crédito habitação e outros que vivem sobretudo de crédito pessoal e consolidado. Se vais comprar casa com a garantia pública para jovens, procura quem já tratou de muitos processos desse tipo em 2025 e 2026. Se queres transferir o crédito habitação para outro banco, pergunta que percentagem da atividade são transferências (na DS foram 24% em 2025).

5. Avaliações de clientes reais: Vê o Google, o Portal da Queixa e o Trustpilot. Olha para a quantidade de avaliações e para o padrão das negativas, não só para a média. Uma loja com 4,9 estrelas em 30 avaliações diz menos do que uma com 4,6 em 800. Nas redes de franchising, avalia a loja concreta que te vai atender, porque a qualidade varia muito de agência para agência.

6. Transparência sobre a comissão: Pede o documento com a remuneração que o banco paga ao intermediário. Quem responde sem hesitar está a cumprir a lei. Quem desconversa é um mau sinal.

7. Propostas de mais do que um banco: Um bom intermediário apresenta-te duas ou três propostas com a FINE de cada uma e explica as diferenças de spread, TAEG (taxa anual de encargos efetiva global, o custo total do crédito num só número) e produtos associados. Se te aparece com um único banco "que é o melhor para ti" sem mostrar alternativas, pergunta porquê.

Como confirmar o registo no Banco de Portugal em 2 minutos

1. Abre a lista de intermediários de crédito no site do Banco de Portugal. Em setembro de 2026 tinha mais de 6.400 entradas e uma caixa de pesquisa no topo.

Página de pesquisa da lista de intermediários de crédito no site do Banco de Portugal
Lista de intermediários de crédito, setembro de 2026. Fonte: Banco de Portugal

2. Pesquisa pelo nome da empresa ou pelo número de registo que aparece no site ou na loja. Cuidado com nomes parecidos: procura a denominação social exata, não só a marca.

3. Na ficha da entidade confirma três coisas: a categoria (vinculado, acessório ou não vinculado), os bancos com quem tem contrato de vinculação e se o registo está ativo.

4. Compara com o que te disseram. Se o intermediário te falou de um banco que não está na ficha, ou se diz ser "independente" mas está registado como vinculado, algo não bate certo.

Intermediário ou ir diretamente ao banco

As duas opções não se excluem. A estratégia que mais compensa é usar as duas ao mesmo tempo:

  • Pede ao intermediário propostas dos bancos dele: Ganhas tempo e acesso a condições negociadas para volume, que muitas vezes são melhores do que as que consegues sozinho ao balcão.
  • Vai tu a um ou dois bancos fora da rede do intermediário: Começa pelo banco onde tens conta e por um que saibas que não trabalha com intermediários. Assim garantes que não deixas a melhor proposta de fora.
  • Compara as FINE lado a lado: Olha para a TAEG e para o MTIC (montante total imputado ao consumidor, quanto pagas do primeiro ao último dia) com o mesmo montante e prazo. O spread baixo com três seguros obrigatórios pode sair mais caro do que um spread mais alto sem nada.

O intermediário só é pago se algum dos bancos dele aprovar o teu crédito. Isso torna-o eficaz a conseguir aprovações, mas cria um incentivo: não vai sugerir-te que esperes seis meses para juntar mais entrada, nem vai propor-te um banco fora da rede. A decisão final sobre se o crédito cabe no teu orçamento é tua. Faz as contas na calculadora de taxa de esforço antes de aceitares qualquer proposta.

Sinais de alerta

O Banco de Portugal fez 265 inspeções a intermediários de crédito em 2025 e abriu 182 propostas de processo de contraordenação. Na publicidade, encontrou irregularidades em 98 dos 120 suportes analisados (81,7%). O setor está a crescer depressa e nem todos os operadores cumprem as regras. Foge se encontrares algum destes sinais:

  • Pedem-te dinheiro adiantado: Comissão, "taxa de estudo", "seguro de garantia" ou qualquer pagamento antes ou depois da aprovação. Um intermediário vinculado nunca te pode cobrar nada.
  • Não encontras o registo: Ou o número que te deram pertence a outra entidade.
  • Garantem aprovação: Ninguém garante crédito antes de o banco analisar o processo. Quem promete "crédito aprovado em 24 horas mesmo com incidentes" está a mentir ou a encaminhar-te para produtos caríssimos.
  • Pedem-te para assinar documentos em branco ou procurações amplas: Só deves assinar o contrato de crédito e apenas depois do período de reflexão de 7 dias.
  • Contactam-te primeiro: Chamadas ou mensagens não solicitadas a oferecer crédito "pré-aprovado" são um esquema comum. Os intermediários sérios não angariam clientes assim.

Se tiveres problemas com um intermediário registado, podes reclamar no livro de reclamações dele ou diretamente ao Banco de Portugal, que analisa a reclamação e pode aplicar sanções.

O que está a mudar na regulação

O regime atual é de 2017. Com o peso que a intermediação ganhou desde então, o Banco de Portugal iniciou em 2025 a revisão do regime jurídico e apresentou propostas ao Governo para simplificar as regras, reforçar a transparência e obrigar os bancos a acompanhar melhor os intermediários com quem trabalham. Uma das dúvidas que o supervisor quer resolver é se a mera angariação de clientes e a publicidade a crédito, feitas por quem não é intermediário, devem passar a ser atividade reservada.

Até setembro de 2026 a nova lei ainda não foi publicada. Quando for, as regras deste artigo serão atualizadas. Entretanto, desde julho de 2025 a publicidade ao crédito está sujeita a regras mais apertadas (Aviso n.º 5/2024 do Banco de Portugal), que proíbem expressões como "sem juros" ou "a taxa mais baixa do mercado" sem prova.

Perguntas frequentes

Qual é a comissão de um intermediário de crédito?

É paga pelo banco (não por ti) e varia com o banco e o tipo de crédito. No crédito habitação, o intermediário tem de te informar do valor antes de começar a trabalhar ou indicar que ele vai constar da FINE. Só os intermediários não vinculados te podem cobrar diretamente, com o preço escrito no contrato.

Qual é o melhor intermediário de crédito habitação em Portugal?

Em volume, a Maxfinance foi a maior em 2025, seguida da DS Intermediários de Crédito e da Simplefy. Em qualidade de serviço, depende da loja e do gestor. Escolhe pelos critérios acima (registo, bancos parceiros, especialização, avaliações e transparência) e não só pela dimensão.

Vale a pena recorrer a um intermediário de crédito?

Sim, na maioria dos casos, desde que não seja a tua única fonte de propostas. Ganhas tempo, acesso a vários bancos de uma vez e ajuda com a documentação, sem custo. Complementa com uma ou duas propostas pedidas por ti a bancos fora da rede do intermediário.

O intermediário consegue melhores condições do que eu no balcão?

Muitas vezes sim, porque negoceia volumes com os bancos e conhece as campanhas em vigor. Mas não é garantido. O teu banco pode dar-te condições melhores para não te perder, sobretudo se levares uma proposta concorrente na mão.

Quais são os intermediários de crédito autorizados em Portugal?

Todos os que constam da lista do Banco de Portugal, que em setembro de 2026 tinha mais de 6.400 entradas. A lista é pública, atualizada e pesquisável por nome ou número de registo no Portal do Cliente Bancário.

Um intermediário de crédito pode recusar o meu processo?

Pode. Se o teu perfil não encaixa nos critérios dos bancos com quem trabalha, é normal que te diga que não consegue ajudar. Se te disser isso, tenta outro intermediário com outros bancos parceiros ou vai diretamente a um banco.

Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. Informação verificada em setembro de 2026. Os dados de produção referem-se a 2025 e foram divulgados pelas próprias empresas. Confirma sempre o registo do intermediário no Banco de Portugal e as condições do crédito na FINE que o banco te entregar.

Autor
O Franklin é licenciado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimónios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre literacia financeira. É o nosso Warren Buffett português – embora mais jovem.