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24.09.2026

Previsão da Euribor para 2026 e 2027: o que dizem os mercados

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A Euribor voltou a subir em 2026. Depois de dois anos de descidas, o choque energético da guerra no Médio Oriente empurrou a inflação da zona euro outra vez acima dos 3% e o Banco Central Europeu subiu as taxas em junho, pela primeira vez desde 2023. A 10 de setembro subiu outra vez, para 2,50%.

Este artigo explica o que o mercado e o BCE esperam para o resto de 2026 e para 2027, o que isso faz à tua prestação, com contas, e o que é uma previsão e o que não é. Foi atualizado a 10 de setembro de 2026, depois da reunião do BCE desse dia. Será revisto a cada reunião. Os valores do dia estão na página Euribor hoje.

A resposta curta

  • Hoje: a Euribor está em 2,655% a 3 meses e em 3,109% a 12 meses, com a taxa do BCE a passar para 2,50% a 16 de setembro.
  • Fim de 2026: o mercado aponta para uma Euribor a 3 meses de 2,965% em dezembro, mais 0,3 pontos do que hoje.
  • Meados de 2027: 3,370% em junho, mais 0,7 pontos do que hoje. Os economistas são mais benignos e esperam uma pausa do BCE nos 2,50%.
  • Na tua prestação: cada 0,25 pontos de Euribor são cerca de 21€ por mês num crédito de 150.000€ a 30 anos.

Onde está a Euribor em setembro de 2026

PrazoMédia de agosto de 2026Média há um anoFixing de 3 de setembro
Euribor 3 meses2,513%2,027%2,655%
Euribor 6 meses2,713%2,102%2,789%
Euribor 12 meses2,954%2,172%3,109%

As médias mensais são as do Banco de Portugal e são as que os bancos usam nas revisões das prestações. Num ano, a Euribor a 6 meses subiu 0,6 pontos e a 12 meses subiu quase 0,8. A 12 meses voltou a passar os 3% no fixing diário, o que não acontecia desde 2024.

O que mudou em 2026

Em janeiro a inflação da zona euro estava em 1,7%, abaixo do objetivo de 2% do BCE, e o mercado discutia se haveria mais cortes. A guerra no Médio Oriente, no fim de fevereiro, levou o petróleo acima dos 100 dólares e a inflação para 3,2% em maio, o valor mais alto em dois anos e meio. Recuou para 2,8% em junho e voltou a 2,9% em julho e a 3,3% em agosto.

O BCE respondeu a 11 de junho com uma subida de 0,25 pontos, a primeira desde setembro de 2023, que levou a taxa de depósito de 2% para 2,25%. Em julho manteve. A 10 de setembro subiu outra vez 0,25 pontos: a taxa de depósito passa para 2,50%, a taxa das operações principais de refinanciamento para 2,65% e a facilidade de cedência de liquidez para 2,90%, com efeitos a partir de 16 de setembro. O BCE justifica a subida com a inflação, que espera manter-se bem acima dos 2% durante um período prolongado por causa do conflito no Médio Oriente. As Euribor anteciparam tudo isto: começaram a subir em abril, antes da decisão de junho, e continuaram a subir em julho e agosto, antes da de setembro.

O que o mercado espera para o resto de 2026

Há três fontes para ler o futuro da Euribor, e convém saber o que cada uma vale.

  • ‍Os futuros da Euribor: são contratos em que os bancos e os fundos apostam onde a Euribor a 3 meses vai estar em cada trimestre. Não são uma previsão, são o preço a que o mercado está disposto a fixar hoje a taxa de amanhã. A 10 de setembro, poucas horas depois da decisão do BCE, apontavam para uma Euribor a 3 meses de 2,965% em dezembro de 2026 e de 3,370% em junho de 2027, bem acima dos 2,655% do fixing de hoje. Ou seja, o mercado não só já tinha embutida a subida de setembro como conta com mais subidas em 2027. Mais abaixo explico onde se consultam estes contratos e como se leem os valores.‍
  • As sondagens a economistas: a subida de setembro era esperada. Na sondagem da Reuters de 31 de agosto a 3 de setembro, todos os 65 economistas ouvidos previam a subida de 0,25 pontos para 2,50%. Na sondagem de meados de agosto, 80% esperavam que o BCE terminasse 2026 nesse valor, sem mais subidas. A maioria via a taxa parada até ao terceiro trimestre de 2027.‍
  • As projeções do BCE e do Banco de Portugal: nas projeções de 10 de setembro, o BCE prevê inflação de 3,0% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. Manteve a previsão de 2026 e reviu em alta as de 2027 e 2028, ou seja, adiou o regresso aos 2% para 2028. Para o crescimento prevê 0,9% em 2026, 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028, uma revisão em alta face a junho. O BCE diz que os riscos para a inflação estão para cima, que os riscos para o crescimento estão para baixo e que não se compromete com nenhuma trajetória de taxas. O Banco de Portugal, no Boletim Económico de junho, manteve o crescimento em 1,8% para 2026 e apontou o preço do petróleo e a incerteza como os riscos.

Juntando as três, o que é certo para o resto de 2026 é a taxa de depósito em 2,50% a partir de 16 de setembro, com a Euribor a 6 meses entre 2,8% e 3% e a 12 meses um pouco acima de 3% até ao fim do ano. Onde as fontes divergem é no passo seguinte. Os economistas ouvidos em agosto esperavam uma pausa até 2027. Os futuros, depois das projeções de setembro, passaram a incorporar mais uma subida até dezembro e mais duas a três ao longo de 2027. Nenhuma das duas leituras é uma previsão fiável a doze meses. O mercado tem a vantagem de se atualizar todos os dias e a desvantagem de mudar de opinião com a mesma facilidade.

Como ler os futuros da Euribor

Os futuros da Euribor negoceiam-se na ICE Futures Europe e as cotações são públicas. Há três regras para ler a tabela.

Cotações dos futuros da Euribor a 3 meses na ICE Futures Europe a 10 de setembro de 2026
Futuros da Euribor a 3 meses. Fonte: ICE Futures Europe

O preço é 100 menos a taxa: um contrato a 97,035 corresponde a uma Euribor a 3 meses de 2,965%. Quando o preço desce, a taxa esperada sobe. Uma queda nesta tabela é má notícia para quem tem crédito.

Cada contrato aponta para uma data: liquida dois dias úteis antes da terceira quarta-feira do mês a que diz respeito, contra o fixing da Euribor a 3 meses desse dia. O contrato do mês em curso diz-te onde a taxa está agora. A expectativa está nos contratos seguintes.

Só interessam quatro meses por ano: março, junho, setembro e dezembro concentram quase toda a negociação. A 10 de setembro, o contrato de dezembro de 2026 negociou 418.322 vezes e o de janeiro de 2027 apenas 250, por isso o preço de janeiro não diz nada de útil.

Aplicando as três regras aos contratos trimestrais da imagem, ficamos com isto.

ContratoPreço*Euribor a 3 meses implícita
Setembro de 202697,3202,680%
Dezembro de 202697,0352,965%
Março de 202796,7703,230%
Junho de 202796,6303,370%

*ICE Futures Europe, Three Month Euribor Futures, cotações de 10 de setembro de 2026.

O contrato de setembro, a 2,680%, é praticamente o fixing de hoje. O de dezembro está 0,3 pontos acima, o que corresponde a mais uma subida do BCE até ao fim do ano. Os de 2027 estão 0,55 e 0,69 pontos acima, ou seja, mais duas a três subidas até ao verão. E todos estes preços caíram no próprio dia da decisão, entre 0,04 pontos no contrato de setembro e 0,16 no de junho de 2027, o que mostra a que velocidade estas expectativas mudam.

Uma limitação importante: só existem futuros sobre a Euribor a 3 meses. Não há contratos a 6 nem a 12 meses, por isso esta tabela dá-te o caminho da taxa a 3 meses e não o da taxa que o teu banco usa, se o teu contrato estiver indexado a 6 ou 12 meses. Serve para ler a direção, não para calcular a tua prestação.

O que esperar para 2027

Aqui a incerteza é maior e quem te disser um número com duas casas decimais está a adivinhar. O que se pode dizer:

  • Se o petróleo estabilizar e a inflação descer para perto de 2% ao longo de 2027, o BCE para nos 2,50% e as Euribor recuam devagar para a zona dos 2,5%, porque o mercado começa a antecipar cortes em 2028. É o cenário da maioria dos economistas.
  • Se a inflação ficar acima de 3%, o BCE sobe uma ou duas vezes mais e as Euribor a 12 meses aproximam-se de 3,5%. É o cenário que os futuros passaram a incorporar depois da reunião de setembro e que o BCE diz ser o risco.
  • Se a economia europeia entrar em recessão, com o BCE a prever apenas 0,9% de crescimento em 2026, o BCE pode ter de cortar antes do previsto, e as Euribor caem mais depressa do que sobem. É o cenário menos provável a seis meses e o mais provável a dois anos.

Nas três hipóteses, a Euribor em 2027 fica entre 2,3% e 3,5%. É um intervalo largo e é o único honesto. Hoje, os futuros apontam para a metade de cima.

O que isto faz à tua prestação

Crédito de 150.000€ a 30 anos, indexado à Euribor a 6 meses, com spread de 1%. Com a média de agosto, 2,713%, a TAN é 3,713% e a prestação 692€.

Euribor a 6 meses na revisãoPrestaçãoDiferença por mês
2,213%, menos 0,5 pontos650€-42€
2,463%, menos 0,25 pontos670€-21€
2,713%, média de agosto692€0€
2,963%, mais 0,25 pontos713€+21€
3,213%, mais 0,5 pontos735€+43€
3,713%, mais 1 ponto779€+88€

A regra prática: neste crédito, cada 0,25 pontos de Euribor são cerca de 21€ por mês. A subida de setembro do BCE já estava nas Euribor de agosto, por isso quem for revisto no último trimestre com a Euribor a 6 meses entre 2,9% e 3% paga entre 15€ e 25€ a mais do que com a média de agosto. Quem tem Euribor a 12 meses e foi revisto em setembro de 2025, a 2,172%, vê agora uma revisão a 2,954%, quase 0,8 pontos, que são cerca de 70€ nesta prestação.

O prazo da Euribor decide quando sentes a mudança. A 3 meses, a prestação acompanha o mercado quase em tempo real, para cima e para baixo. A 12 meses, apanhas a subida de uma vez, meses depois, e demoras o mesmo a apanhar a descida.

O que fazer com isto

  • Não decidir pela previsão: em dezembro de 2025, os futuros apontavam para uma Euribor a 3 meses de 2,05% no início de 2027. Nove meses depois apontam para 3,23%. A previsão mudou quase 1,2 pontos por causa de uma guerra que ninguém tinha no modelo. Decide com o que aguentas, não com o que esperas.
  • Fazer o teste da subida: calcula a tua prestação com mais 1 ponto de Euribor. Se cabe no orçamento, a taxa variável continua a ser a opção mais barata a prazo. Se não cabe, o problema não é a previsão, é a folga.
  • Comparar com a taxa fixa e mista com a Euribor de hoje, não com a de 2025: os bancos fixam a taxa mista com base nas expectativas do mercado, por isso a fixa já incorpora as subidas esperadas. Compensa se quiseres previsibilidade, não se quiseres poupar. As contas estão no artigo sobre taxa fixa, variável ou mista.
  • Amortizar se tiveres folga: com a Euribor a subir, cada euro amortizado rende mais. As regras e a comissão de 0,5% estão no artigo sobre amortizar o crédito habitação.
  • Renegociar o spread: a Euribor não se negoceia, o spread sim. Num ciclo de subida, baixar 0,3 pontos de spread compensa uma subida de 0,3 da Euribor. O caminho está no artigo sobre transferir o crédito habitação.

Como ler as próximas datas

  • 16 de setembro de 2026: entram em vigor as novas taxas do BCE, com a taxa de depósito em 2,50%.
  • Fim de setembro: o Banco de Portugal publica a média de setembro, que entra nas revisões de outubro.
  • 29 de outubro e 17 de dezembro: as reuniões seguintes do BCE. Se a inflação não descer, são as datas de uma nova subida.
  • Cada mês: a média mensal na página Euribor hoje, que é o valor que o teu banco usa.

Perguntas frequentes

A Euribor vai continuar a subir em 2026?

O BCE subiu a taxa de depósito para 2,50% a 10 de setembro e as Euribor já tinham essa subida embutida. A partir daí as opiniões separam-se: os economistas ouvidos em agosto esperavam uma pausa, enquanto os futuros passaram a apontar para mais uma subida até dezembro. Com a inflação em 3,3% em agosto, o risco está do lado da subida.

Qual é a previsão da Euribor para 2027?

Entre 2,3% e 3,5%, conforme a inflação e o petróleo. Os economistas esperam estabilização e descida lenta ao longo de 2027, mas os futuros negociados a 10 de setembro apontam para uma Euribor a 3 meses de 3,37% em junho de 2027, ou seja, para a parte de cima desse intervalo.

Devo mudar para taxa fixa?

Só se precisares de previsibilidade. A taxa fixa que o banco te oferece hoje já inclui as subidas que o mercado espera, por isso raramente sai mais barata do que a variável ao longo do contrato.

Quanto sobe a minha prestação com mais 0,25 pontos?

Cerca de 21€ por mês num crédito de 150.000€ a 30 anos. Proporcionalmente mais em créditos maiores e menos em créditos perto do fim.

Porque é que a minha prestação subiu mais do que a Euribor?

Porque a revisão compara a média do mês anterior com a média de há 3, 6 ou 12 meses, não com o valor do dia. Quem tem Euribor a 12 meses apanha de uma vez a subida de um ano inteiro.

Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. As previsões referem-se às expectativas do mercado e dos economistas a 10 de setembro de 2026 e mudam com cada decisão do BCE e cada dado de inflação. O exemplo da prestação usa um spread ilustrativo. Confirma sempre a tua situação com o teu banco.

Autor
O Franklin é licenciado em Economia e mestre em Finanças. Concluiu o nível II do CFA e conta com cerca de três anos de experiência em gestão de patrimónios, como analista de carteiras e fundos de investimento na Golden Wealth Management. Criou o canal de YouTube "Edge Over Hedge" sobre literacia financeira. É o nosso Warren Buffett português – embora mais jovem.