Crédito pessoal Revolut: taxas, simulações e análise


O crédito pessoal Revolut é uma das ofertas de crédito ao consumo mais fáceis de contratar em Portugal. São alguns toques no telemóvel, uma decisão em minutos e o dinheiro na conta no próprio dia.
Neste artigo vais ver as condições exatas do crédito pessoal Revolut, o que a app mostra em cada passo do pedido, e simulações concretas com as taxas que a própria Revolut publica, para saberes quanto pagas por mês e quanto devolves no total em cada cenário. No fim, as vantagens, as desvantagens e os riscos a que deves prestar atenção antes de assinar.
Se quiseres testar os teus próprios números enquanto lês, usa a calculadora de crédito pessoal do literaciafinanceira.pt.
Se ainda não tens conta Revolut, tens de abrir uma antes de poderes sequer simular condições personalizadas. Antes de o fazeres, vale a pena veres os bónus disponíveis para novos clientes Revolut, que mudam com alguma frequência.
O que é o crédito pessoal?
É um empréstimo ao consumo de finalidade livre, sem garantia real associada. Ao contrário do crédito à habitação, não há imóvel a servir de colateral, e ao contrário do crédito automóvel, não há reserva de propriedade sobre um bem. O único ativo que o banco avalia é o teu rendimento, a tua estabilidade profissional e o teu histórico de crédito. É por isso que as taxas são muito superiores às do crédito habitação.

A taxa é fixa durante todo o contrato, o que significa que a prestação é igual do primeiro ao último mês e não há exposição à Euribor. O pedido é feito integralmente na app e o crédito está reservado a quem já é cliente Revolut. Se ainda não conheces o resto da oferta do banco, tens aqui a nossa análise completa à Revolut em Portugal.
Condições do crédito pessoal Revolut
Regulação e segurança
O crédito é concedido pela Revolut Bank UAB, instituição de crédito autorizada e supervisionada pelo Banco da Lituânia e pelo Banco Central Europeu, que opera em Portugal através de sucursal e está registada no Banco de Portugal com o número 3504. Podes confirmar o registo e o âmbito de atividade na ficha da entidade autorizada no site do Banco de Portugal.

Na prática, isto significa que não estás perante uma financeira desregulada, mas sim perante um banco europeu sujeito às regras da concessão de crédito ao consumo em Portugal, incluindo os limites de TAEG fixados trimestralmente pelo Banco de Portugal, a obrigação de entrega da Ficha de Informação Normalizada e o direito de livre revogação em 14 dias.
TAN, TAEG e MTIC: os três números que interessam
- A TAN, taxa anual nominal, é apenas a taxa de juro que o banco cobra. Não inclui impostos nem comissões, por isso não serve para comparar propostas.
- A TAEG, taxa anual de encargos efetiva global, inclui os juros, o imposto do selo, as comissões e os seguros obrigatórios. É o indicador legal de comparação e o que o Banco de Portugal usa para fixar os limites máximos do crédito ao consumo.
- O MTIC, montante total imputado ao consumidor, é o valor absoluto que sai do teu bolso do início ao fim do contrato.
Há aqui um limite legal que convém conhecer. O Banco de Portugal fixa trimestralmente a TAEG máxima de cada tipo de crédito ao consumo. No 3.º trimestre de 2026, o teto do crédito pessoal multifinalidade é de 15,3% e o das finalidades de educação, saúde, transição energética e locação financeira de equipamentos é de 8,9%.
Podes consultar os valores em vigor nas taxas máximas divulgadas pelo Banco de Portugal e a explicação do regime na página das taxas de juro no crédito aos consumidores. Guarda este dado: o crédito pessoal Revolut é multifinalidade, logo o teto aplicável é o de 15,3%.
O exemplo representativo da Revolut

Traduzindo: por 7.500€ emprestados devolves 10.197,22€. São 2.697,22€ de custo, cerca de 36% do capital pedido. E este é o exemplo representativo, não o pior cenário.
Repara na frase que aparece logo a seguir: a TAN pode variar entre 7,74% e 13,00% consoante o prazo e o perfil de risco. A TAEG de 9,8% que aparece no cartaz é o melhor caso, não o caso médio. A Revolut publica ainda exemplos representativos ligeiramente diferentes nos vários canais, pelo que o número que conta é sempre o da proposta personalizada que recebes no fim do questionário.
Simulações do crédito pessoal Revolut
As tabelas seguintes foram calculadas com o sistema francês de amortização, com prestações constantes, acrescentando 4% de imposto do selo sobre os juros na prestação e 1,76% de imposto do selo sobre o capital no início do contrato, conforme a verba 17.2 da Tabela Geral do Imposto do Selo.
Ainda assim, são estimativas: a proposta final depende do teu perfil.
Cenário 1: o efeito do prazo
Montante de 10.000€, TAN de 8,44%.
Passar de 36 para 84 meses baixa a prestação de 316,90€ para 159,62€, quase para metade, mas mais do que duplica o custo total, de 1.584€ para 3.584€. São 2.000€ adicionais pelo privilégio de pagar menos por mês.
Há aqui um segundo efeito, menos óbvio: a TAEG desce com o alargamento do prazo, de 12,83% a 12 meses para 9,72% a 84 meses. Isto acontece porque o imposto do selo de 1,76% é cobrado de uma só vez e pesa muito mais quando diluído por 12 meses do que por 84. É a razão pela qual não podes comparar TAEG entre prazos diferentes sem olhar também para o MTIC.
Cenário 2: o efeito do perfil de risco
Mesmo montante, mesmo prazo, TAN diferente. É aqui que a diferença entre o anúncio e a proposta real aparece.
Crédito de 10.000€ a 60 meses:
Crédito de 15.000€ a 84 meses:
A diferença entre o melhor e o pior perfil, neste último caso, são 3.583,90€. A prestação difere apenas 42,66€ por mês, o que mostra bem porque é que olhar só para a prestação é a forma mais fácil de não perceber o que estás a assinar.
Repara ainda que uma TAN de 13% corresponde a uma TAEG estimada de cerca de 15,2%, praticamente encostada ao limite máximo de 15,3% fixado pelo Banco de Portugal para o crédito pessoal multifinalidade no 3.º trimestre de 2026. Ou seja, no topo do intervalo, o crédito pessoal Revolut fica no limite do que a lei permite cobrar.
Como pedir crédito pessoal na Revolut
O processo está dividido em alguns passos, todos dentro da app.

Depois de iniciares, a app mostra o progresso em três fases: concluir o questionário, validar os dados e aceitar e assinar o contrato. O crédito só fica formalizado no último passo, o que significa que podes recuar até assinares.

Documentos necessários
Nada de invulgar face à banca tradicional:
- Prova do NIF
- Comprovativo de rendimentos com os últimos três recibos de vencimento ou faturas dos últimos três meses
- Extratos bancários da conta onde recebes o rendimento e, consoante o tipo de vínculo laboral
- Documentos adicionais. Trabalhadores independentes devem contar com uma análise mais exigente.

Vantagens do crédito pessoal Revolut
- Rapidez e simplicidade. É provavelmente o crédito mais rápido de obter no mercado português.
- Ausência de comissões. Não há comissão de abertura, de dossier nem de amortização antecipada. Num crédito de 10.000€, comissões de abertura de 1% a 2% praticadas noutras instituições representariam 100€ a 200€ adicionais, com 4% de imposto do selo por cima.
- Sem seguros associados. O crédito pessoal Revolut não exige seguro de vida nem de proteção ao crédito, o que retira uma camada de custo que muitas vezes nem aparece na comparação. Um seguro de vida associado a um crédito pessoal pode acrescentar dezenas de euros por mês à prestação, e há relatos de diferenças na ordem dos 25€ mensais face a propostas da banca tradicional com seguro incluído. Em 60 meses, são 1.500€ que não pagas.
- Taxa fixa e prestação previsível. Sabes ao cêntimo quanto vais pagar durante todo o contrato, sem exposição à Euribor.
- Flexibilidade na gestão. Podes ajustar a data das prestações ao teu ciclo salarial e consultar o plano de amortização e os extratos na própria app, sem pedidos ao banco.
- Transparência dos custos antes de assinar. A proposta apresenta TAN, TAEG, imposto do selo e MTIC antes da assinatura, e podes recuar até ao último passo.
- Finalidade livre. Não tens de justificar em que vais gastar o dinheiro nem apresentar faturas.
Desvantagens e riscos do crédito pessoal Revolut
- A TAEG anunciada é o melhor caso. Os 9,8% correspondem ao perfil mais favorável. A TAN pode chegar aos 13%, o que empurra a TAEG para perto de 15,2%, praticamente no teto legal de 15,3%. Entre um cenário e outro, num crédito de 15.000€ a 84 meses, a diferença ultrapassa os 3.500€.
- Não há taxas bonificadas por finalidade. Sendo multifinalidade, o crédito Revolut não beneficia dos tetos mais baixos aplicáveis a saúde, educação, transição energética e locação financeira de equipamentos, onde o limite no 3.º trimestre de 2026 é de 8,9%.
- Teto de 30.000€. Vários bancos vão até aos 50.000€ ou 75.000€, o que limita a Revolut em projetos maiores ou em consolidações de crédito mais volumosas.
- A ausência de seguro é uma faca de dois gumes. Não teres seguro de vida associado torna a prestação mais barata, mas também significa que não existe qualquer cobertura em caso de morte, invalidez permanente ou desemprego. Se morreres antes de liquidar o crédito, a dívida integra a herança e passa para os herdeiros, que só escapam se a rejeitarem.
- A facilidade é, em si, um risco. Contratar um crédito em três toques, sem sair do sofá e sem falar com ninguém, remove todo o atrito que normalmente serve de travão à decisão. É uma vantagem operacional e um risco comportamental ao mesmo tempo, sobretudo em créditos pedidos por impulso ou para financiar consumo.
- Não há margem de negociação. Sem balcão nem gestor de conta, a proposta é a que o algoritmo devolve. Num banco tradicional, domiciliar o ordenado ou contratar outros produtos costuma dar espaço para negociar a taxa.
- Compromete a tua capacidade de crédito futura. A prestação entra na tua taxa de esforço e o contrato fica registado na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, visível para todas as instituições. Um crédito de 200€ por mês pode ser a diferença entre teres ou não aprovação num crédito à habitação daqui a dois anos. Confirma o teu número na calculadora de taxa de esforço.
- Financia consumo, não património. Um crédito à habitação compra um ativo que tende a valorizar. Um crédito pessoal financia normalmente férias, mobiliário, um casamento ou um carro em segunda mão, despesas que perdem valor a partir do dia um.
Porque é que a Revolut pode recusar o teu crédito
A Revolut não justifica a decisão, mas os fatores de recusa mais frequentes são conhecidos e quase todos acionáveis.
A taxa de esforço é o primeiro filtro. Se a soma de todas as prestações, incluindo a nova, ultrapassar cerca de 35% a 40% do teu rendimento líquido, a probabilidade de recusa é elevada.
Os plafonds de cartões de crédito contam, mesmo que nunca os uses. Um cartão com 5.000€ de limite disponível é lido como 5.000€ de crédito potencial e entra na avaliação de risco. Cancelar cartões que não usas antes de pedires o crédito é das ações com maior impacto e menor custo.
O perfil de consumo visível nos extratos também pesa. Como a análise incide sobre a conta onde recebes o rendimento, transferências recorrentes para casas de apostas, adiantamentos salariais, saldos negativos frequentes ou pagamentos falhados de outros créditos são sinais que penalizam a decisão.
Por fim, os critérios internos são conservadores. Há relatos de recusas em montantes baixos e com rendimentos estáveis, sobretudo em contas Revolut recentes ou com pouca atividade. Ter o ordenado domiciliado e histórico na conta ajuda.
Se fores recusado, não repitas o pedido de imediato. Corrige o que estiver ao teu alcance, sobretudo plafonds de cartões e créditos pequenos por liquidar, e volta a tentar mais tarde. Uma recusa não fica registada na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, ao contrário de um crédito contratado.
Como saber se podes e deves pedir
- Calcula a tua taxa de esforço já com a nova prestação incluída. Até 35% é zona confortável, acima de 45% o Banco de Portugal recomenda que não seja concedido novo crédito.
- Verifica se tens fundo de emergência. Pedir crédito sem almofada financeira significa que qualquer imprevisto se transforma num segundo crédito.
- Define a finalidade e confirma se dá direito a taxa bonificada noutra instituição, antes de aceitares uma proposta multifinalidade.
- Pede no mínimo três simulações, incluindo a Revolut, o teu banco e uma financeira, e compara sempre TAEG e MTIC, nunca a prestação isolada.
- Escolhe o prazo mais curto que o teu orçamento aguenta, não o que dá a prestação mais bonita.
- Lê a Ficha de Informação Normalizada antes de assinar e confirma o direito de livre revogação de 14 dias, durante os quais podes desistir do contrato devolvendo o capital e os juros do período.
Conclusão
O crédito pessoal Revolut cumpre o que promete: rapidez, ausência de comissões, taxa fixa e custos visíveis antes de assinar. Para quem já é cliente e precisa de financiamento até 30.000€, merece estar na lista de propostas a comparar.
O que a app não te mostra enquanto arrastas o cursor do prazo é que 10.000€ a 84 meses se transformam em 13.584€, e que no topo do intervalo de taxas o custo fica encostado ao limite legal. Faz as contas antes, não depois.
Usa a calculadora de crédito pessoal e a calculadora de taxa de esforço, compara TAEG e MTIC em pelo menos três propostas, e escolhe o prazo mais curto que consegues suportar.
Perguntas frequentes
Quanto posso pedir no crédito pessoal Revolut?
Entre 1.000€ e 30.000€, com prazos até 84 meses.
A TAEG de 9,8% da Revolut é boa?
É competitiva no segmento multifinalidade digital, onde o mercado anda entre os 9% e os 14%. Não é competitiva face a créditos com finalidade específica, onde o teto legal no 3.º trimestre de 2026 é de 8,9%.
Posso pedir crédito na Revolut sem ser cliente?
Não. O crédito pessoal está reservado a clientes Revolut residentes em Portugal com mais de 18 anos e rendimentos sustentáveis.
A Revolut cobra comissões no crédito pessoal?
Não cobra comissão de abertura nem de amortização antecipada. O imposto do selo, esse, é devido em qualquer instituição.
Quanto é o imposto do selo num crédito pessoal?
Para prazos iguais ou superiores a um ano, 1,76% sobre o montante financiado, mais 4% sobre os juros. Para prazos inferiores a um ano, 0,141% por cada mês ou fração, mais os mesmos 4% sobre os juros.
Amortizar antecipadamente compensa?
Do ponto de vista matemático, sim, desde que não haja comissão e o dinheiro não tenha melhor uso. Como o crédito pessoal custa 10% ou mais, dificilmente encontras uma aplicação de risco comparável que renda o mesmo.
Posso usar o crédito pessoal Revolut para pagar outro crédito?
Sim, a finalidade é livre. Conta é que pagas duas vezes o custo de entrada: a comissão de reembolso antecipado do crédito antigo, até 0,5% do capital liquidado, e o imposto do selo de 1,76% sobre o montante do crédito novo. Só compensa se a diferença de TAEG for material e o prazo remanescente for longo.
O pedido de crédito afeta o meu histórico?
A simulação não. O crédito contratado sim: fica registado na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal e é visível por todas as instituições quando pedires financiamento no futuro.
Posso usar o crédito pessoal Revolut para o meu negócio?
Não. É um crédito ao consumo, concedido com base no teu rendimento pessoal e destinado a despesas pessoais. Para necessidades de tesouraria ou financiamento de atividade, a oferta relevante é outra e está descrita no artigo sobre a Revolut Business.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. As simulações apresentadas são estimativas baseadas nas taxas publicadas pela Revolut à data de redação e nas regras fiscais em vigor; as condições finais dependem da análise de risco de cada instituição. Avalia a tua capacidade de pagamento antes de te comprometeres.



.avif)
.avif)