Certificados de Aforro: taxa atual, Série F e como subscrever



Os Certificados de Aforro são o produto de poupança do Estado mais conhecido em Portugal. A série atualmente à venda é a Série F, que paga juros a cada três meses, com uma taxa que acompanha a Euribor a 3 meses e nunca passa de 2,5% antes dos prémios de permanência.
Neste artigo tens a taxa base deste mês, atualizada automaticamente. Também explicamos como é calculada, quanto rendem ao fim de alguns anos, os limites, o resgate, o IRS e como subscrever passo a passo.
Taxa atual dos Certificados de Aforro
A taxa base da Série F é fixada todos os meses pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP). O quadro seguinte atualiza-se sozinho com o valor mais recente.
A taxa base fica no teto de 2,5% sempre que a Euribor a 3 meses está acima desse valor. Foi o que aconteceu desde o lançamento da Série F, em junho de 2023, até março de 2025. Depois baixou para cerca de 2% e voltou ao máximo em setembro de 2026, quando a Euribor voltou a subir.
O que são os Certificados de Aforro?
São dívida pública emitida pelo IGCP e vendida apenas a particulares. Ao subscrever, emprestas dinheiro ao Estado, que te paga juros e devolve o capital no fim do prazo. A Série F foi criada pela Portaria n.º 149-A/2023, de 2 de junho, que fechou ao mesmo tempo a Série E.
Em resumo:
- Prazo: 15 anos.
- Taxa base: variável, entre 0% e 2,5%, revista todos os meses.
- Prémios de permanência: de 0,25 a 1,75 pontos percentuais a partir do 2.º ano.
- Juros: a cada três meses, somados ao capital depois do IRS.
- Capital: totalmente garantido pelo Estado.
- Montantes: mínimo de 100€ na conta, máximo de 250.000€ por pessoa.
Como é calculada a taxa de juro
A taxa base de cada mês é a média da Euribor a 3 meses dos 10 dias úteis anteriores ao antepenúltimo dia útil do mês anterior. O resultado é arredondado a três casas decimais e não pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%. Ao contrário da Série E, a Série F não soma nenhum valor à Euribor.
A taxa que conta para cada subscrição não muda todos os meses. Em cada trimestre aplica-se a taxa base em vigor no início desse trimestre, mais o prémio de permanência. Se subscreveres a 10 de outubro, a taxa de outubro vale até 10 de janeiro. A partir daí aplica-se a taxa de janeiro até 10 de abril.
Prémios de permanência
Quanto mais tempo mantiveres os certificados, mais alto é o prémio somado à taxa base:
Fonte: ficha técnica da Série F do IGCP.
Com a taxa base no máximo de 2,5%, a taxa bruta pode chegar a 4,25% nos dois últimos anos. Os prémios só contam enquanto não resgatares.
Exemplo prático: 10.000€ em Certificados de Aforro
Imagina que subscreves 10.000€ e que a taxa base fica sempre nos 2,5%. Os juros são pagos de três em três meses, o Estado retém 28% de IRS e o resto passa a render no trimestre seguinte:
Cálculo do LiteraciaFinanceira.pt com taxa base constante de 2,5%, prémios de permanência e IRS de 28% retido em cada trimestre.
Se a Euribor descer, a taxa base desce com ela e o resultado fica abaixo destes valores. Para testar outros montantes, prazos e taxas, usa o nosso simulador de Certificados de Aforro.
Montantes mínimos e máximos
Cada certificado vale 1€. Cada subscrição tem de ter pelo menos 10€ e a conta aforro tem de ficar com pelo menos 100€, por isso a primeira subscrição é de 100€ ou mais.
O máximo é de 250.000€ por pessoa na Série F. Somando a Série E, o limite é de 500.000€. Os limites subiram em abril de 2026. Antes eram de 100.000€ e 350.000€.
Prazo, juros e resgate
Os Certificados de Aforro da Série F têm um prazo de 15 anos. No fim, recebes o capital e os juros acumulados na conta bancária associada à conta aforro.
Os juros vencem a cada três meses, no mesmo dia do mês em que subscreveste. Não são pagos à parte: depois de retido o IRS, juntam-se ao capital e passam a render juros também.
Podes resgatar, no todo ou em parte, a partir do primeiro vencimento de juros, ou seja, três meses depois de subscrever. Recebes o capital e os juros já vencidos, mas perdes os juros do trimestre em curso. Não há outra penalização e o dinheiro chega à conta associada em até 7 dias.
Um exemplo: subscreves 10.000€ a 10 de outubro de 2026 e a taxa base fica nos 2,5%. A 10 de janeiro vencem 62,50€ de juros brutos, 45€ depois do IRS, e o capital passa a 10.045€. Se resgatares a 25 de fevereiro, a meio do trimestre seguinte, recebes esses 10.045€. Perdes os juros do segundo trimestre, cerca de 45€ líquidos que vencias a 10 de abril. Se esperasses até essa data, recebias cerca de 10.090€.
Por isso, se precisares do dinheiro, compensa pedir o resgate logo a seguir a uma data de vencimento de juros.
Fiscalidade
Os juros pagam IRS à taxa de 28%, retido na fonte pelo Estado em cada trimestre. Não precisas de fazer mais nada e não tens de declarar os juros no IRS, a não ser que optes por englobar todos os rendimentos de capitais desse ano.
Explicamos quando compensa englobar e como declarar no artigo sobre Certificados de Aforro e IRS.
Como subscrever Certificados de Aforro
Podes subscrever nos balcões dos CTT, nos Espaços Cidadão, online no AforroNet e no Banco de Investimento Global (BiG), o único banco indicado pelo IGCP. O processo tem três passos:
- Abrir a conta aforro. Faz-se uma vez, num balcão dos CTT ou num Espaço Cidadão. Leva o documento de identificação, o número de contribuinte e comprovativos do IBAN da tua conta bancária, da morada e da profissão. Se fores cliente do BiG, podes abrir a conta aforro online.
- Fazer a primeira subscrição. Podes subscrever logo no balcão, com um mínimo de 100€.
- Aderir ao AforroNet. No site, escolhe "Adesão", indica o número da conta aforro e cria um utilizador. O IGCP envia-te um código provisório por email ou carta e depois ativas a palavra-passe. A partir daí, fazes novas subscrições e resgates online.
Para entrar no AforroNet, além do utilizador e da palavra-passe, o site pede dois dígitos do teu número de contribuinte. O guia oficial do Estado está no gov.pt.
E quem tem Certificados de Aforro da Série E?
A Série E deixou de ser vendida em junho de 2023, mas quem a tem continua a receber juros até ao fim do prazo. As regras são mais generosas: taxa base igual à Euribor a 3 meses mais 1 ponto percentual, com máximo de 3,5%. Os prémios são de 0,5 pontos percentuais do 2.º ao 5.º ano e de 1 ponto percentual do 6.º ao 10.º ano. O prazo é de 10 anos.
Se tens Série E, não faz sentido resgatar para comprar Série F: a taxa da Série E é sempre igual ou superior à da Série F.
Certificados de Aforro ou Certificados do Tesouro?
Os Certificados do Tesouro «Série 5» pagam uma taxa fixa, de 2,35% no 1.º ano a 3,35% no 10.º, com juros pagos uma vez por ano e sem capitalização. O mínimo é de 1.000€.
Os Certificados de Aforro têm taxa variável e juros que rendem juros, mas dependem da Euribor. Se achas que a Euribor vai descer, a taxa fixa dos Certificados do Tesouro protege-te. Se precisas de flexibilidade e de montantes pequenos, os Certificados de Aforro são mais simples. Comparamos os dois em detalhe em Certificados do Tesouro vs Certificados de Aforro.
Vale a pena investir em Certificados de Aforro?
Para dinheiro que queres manter seguro, como o fundo de emergência ou uma poupança para os próximos anos, são uma opção simples, sem custos e com capital garantido pelo Estado. Com a taxa base no máximo, rendem 1,8% líquidos no 1.º ano.
Para objetivos de longo prazo, como a reforma, um rendimento líquido perto de 2% por ano pode ficar curto. Aí vale a pena comparar com outras opções, como explicamos em PPR ou Certificados de Aforro.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa dos Certificados de Aforro este mês?
A taxa base muda todos os meses e nunca passa de 2,5%. O valor do mês está no quadro no início deste artigo, que se atualiza automaticamente. A partir do 2.º ano somas o prémio de permanência.
Quando muda a taxa dos Certificados de Aforro?
O IGCP fixa a taxa no antepenúltimo dia útil de cada mês, para vigorar no mês seguinte. Para quem já tem certificados, a taxa muda a cada trimestre, na data de vencimento dos juros.
Qual é o mínimo para subscrever?
A primeira subscrição tem de ser de pelo menos 100€. As seguintes podem ser de 10€.
Posso perder dinheiro com Certificados de Aforro?
Não. O capital é garantido pelo Estado e a taxa base nunca é negativa. O único custo de resgatar antes do fim é perderes os juros do trimestre em curso.
Tenho de declarar os Certificados de Aforro no IRS?
Não, se não optares pelo englobamento. O IRS de 28% já é retido em cada pagamento de juros.
Os Certificados de Aforro podem ser transmitidos?
Só por morte do titular. Os herdeiros podem pedir para os transferir para a conta aforro deles ou para os resgatar.
Posso ter mais do que uma conta aforro?
Não. Cada pessoa só pode ter uma conta aforro, que é individual.
Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro. As taxas e as regras podem mudar. Confirma sempre as condições em vigor no IGCP antes de subscrever.




